Hipócritas, graças a deus!

Cada uma dessas nega o deus de todas as outras.

Cada uma dessas nega o deus de todas as outras.

Eu, como ateu, jamais bati na porta dos outros para convertê-los à minha razão. Desconheço qualquer outro que já o tenha feito.

Os meios de comunicação não dão espaço para que minha opinião seja abertamente discutida, pois ateus não têm concessões de tevê ou mesmo uma bancada no Congresso Nacional.

Os líderes religiosos consideram-me a encarnação do mal, condenam-me a castigos eternos, além de caracterizar ações criminosas e violentas como “coisas de quem não tem deus no coração”.

Quando entro em um tribunal sou julgado sob uma cruz e devo jurar sobre uma Bíblia.

Quando leio a Constituição do meu país, um Estado laico, vejo o apelo direto a deus logo em seu preâmbulo.

Até em meu dinheiro há a inscrição que afronta a minha não crença.

Dinheiro este, aliás, que ganho honestamente, com o suor de meu trabalho e pelo qual sou taxado sumariamente; enquanto templos e igrejas gozam de isenção completa e absoluta dos mesmos impostos.

Ainda assim, o intolerante sou eu.

Não mato animais em rituais cruéis; não abomino homossexuais; não condeno meu semelhante por ter opções diferentes da minha; não discrimino a mulher nem acho que ela deve ser subserviente ao marido; não atiro bombas em civis, nem as amarro em meu corpo para chegar ao paraíso; não faço nem apoio cruzadas, intifadas ou inquisições.

Mas eu, por não crer, sou o mal de um mundo inteiro.

Sou penalizado por não ter fé naquilo que considero fantasia. Entretanto é curioso notar que todos os crentes consideram pura fantasia os deuses dos outros e os riscam de sua crença.

Neste ponto, só somos diferentes porque eu risco o último nome dessa lista também.

Todavia, quando, em algum momento, eu me afirmo como ateu, passo a ser intolerante e a não respeitar meus “semelhantes”.

Infelizmente, o mal do mundo não é a intolerância, tampouco a religião. Do que padece irremediavelmente o planeta é de uma crônica e atávica hipocrisia.

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Categorias: Sociedade | Deixe um comentário

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