Meritocracia plutocrática

“Há meios que supostamente cumprem a função de informar, mas quando dependem de grupos econômicos poderosos, o que fazem é dirigir a cidadania em função dos seus interesses”.

Laurindo Leal Filho

 

O jornal O Globo é o pai da mentira. Ele tentou enganar os nossos ancestrais e continua tentando enganar de toda forma, maneira e feitio. Tende cuidado com O Globo, vosso adversário, pois ele anda ao redor de vós, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Resisti-lhe. Tornai-vos vitoriosos sobre ele e suas mentiras.

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Charge de Claudius

A Rede Globo faz uso de seu poder de monopólio da informação contra o ENEM. São milhões de redações corrigidas e recorrigidas, mas se alguma falha for detectada é o suficiente para as Organizações Globo metralharem a credibilidade do processo.
O PLIM PLIM ataca o ENEM porque é contra qualquer projeto de inclusão social que tenha origem trabalhista. Mostra claramente, por meio de seus editoriais, sua contrariedade em relação às cotas raciais nas universidades públicas. Sua ideologia do livre mercado tem como princípio a meritocracia plutocrática e a não intervenção do Estado na economia.
Qualquer governo de origem trabalhista terá que enfrentar a oposição dos oligopólios da mídia empresarial. Até hoje, nenhum governo teve a coragem de sofrer o desgaste político desse enfrentamento. Somente uma sociedade organizada e ciente da importância da democratização dos meios de comunicação poderá mudar o horizonte sufocante do monopólio do discurso.

O ENEM foi criado com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da educação básica, buscando contribuir para a melhoria da qualidade desse nível de escolaridade.

A partir de 2009 passou a ser utilizado também como mecanismo de seleção para o ingresso no ensino superior. Foram implementadas mudanças no Exame que contribuem para a democratização das oportunidades de acesso às vagas oferecidas pelas universidades, para a mobilidade acadêmica e para induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio.

Respeitando a autonomia das universidades, a utilização dos resultados do Enem para acesso ao ensino superior pode ocorrer como fase única de seleção ou combinado com seus processos seletivos próprios. O exame também é utilizado para o acesso a programas oferecidos pelo Governo Federal, tais como o ProUni.
Quando o Enem passou a substituir a indústria do vestibular e servir como prova de acesso à graduação em diversas universidades federais em todo o Brasil, a família Marinho passou a atacar o exame logo ao despontar da manhã. Uma coincidência muito apreciada no mundo do livre mercado.·.

A cruzada global da meritocracia plutocrática contra o ENEM ganhou munição em 2011 pela ocasião do vazamento de algumas questões para um colégio particular em Fortaleza. As Organizações Globo fizeram pressão para que o exame fosse anulado. Confira nas seguintes manchetes da época:

“Estudantes organizam protesto contra problemas no exame”

“Estudantes organizam protesto pelo Facebook contra problemas no exame”

“Alguns candidatos cariocas querem anulação total, e outros ameaçam processar o MEC”.

“Veja algumas das questões vazadas que foram parar na internet”

“MEC confirma que as 14 questões que vazaram foram copiadas de pré-teste”

“Professores acham que exame exigiu conteúdos mais específicos”

“Histórico de problemas desde a mudança de formato em 2009”

Na redação de 2012, após a estultice do garoto miojo, o jornalão volta à linha de frente:

“Professores pedem anulação de questões”

“Estudantes usam Facebook para contestar redações do Enem”

“Estudante que incluiu receita de miojo na redação do Enem 2012: ‘Era para tirar zero’”

Enem 2012: estudante escreve receita de miojo na redação e recebe nota 560

Falhas na correção de redações do Enem viram ‘meme’ em redes sociais

 “Estudantes ficam surpresos com tema da redação

Márcio Hilário, professor de Língua Portuguesa do Colégio Pedro II, deu uma breve aula expositiva aos editores do jornal da Família Marinho, como se fossem garotos de dez anos de idade, na perseverança de que na próxima vez aprendam que, quando se está alheio ao assunto, a única coisa decente a fazer é abster-se de falar. Ao menos passem a bola para quem sabe chutar.

“As organizações Globo não se cansam de tentar acabar com a credibilidade de um exame que mudou a perspectiva educacional brasileira… para MELHOR, diga-se de passagem. Os recorrentes exemplos garimpados pela imprensa representam a exceção da exceção, mas são passados como se fossem regra geral. Em um concurso com milhões de candidatos, assim como em qualquer política pública de larga escala, certos equívocos não só são possíveis, como são naturais e saudáveis dentro da diversidade humana. Afinal, não estamos diante de uma ciência exata, até mesmo porque nem isso existe.

O fato de o candidato ter inserido um parágrafo que foge ao tema não implica a anulação da redação. Se desconsiderarmos este parágrafo em especial, ainda assim teríamos o número mínimo de linhas para que o texto fosse corrigido na íntegra. Ele seria apenado, mas não anulado! O problema é que o pensamento reacionário dominante, manifestado inclusive por pessoas que não têm competência para escrever uma linha aproveitável que seja, sugere imediatamente a anulação do texto. É preciso lembrar que estamos falando de um concurso de acesso e que, portanto, felizmente ele tem uma natureza inclusiva. Difícil é essa mídia golpista, elitista e reacionária engolir isso. Pior ainda são as pessoas darem eco ao que não compreendem.

É interessante que supervalorizem determinados aspectos da língua portuguesa como se eles fossem os definidores mais importantes do caráter de alguém. Como bacharel, licenciado, mestrado e doutorado em Letras, mas, sobretudo, como professor, digo uma coisa simples: prefiro que alguém tenha menos ortografia e mais o que dizer; menos educação formal e mais caráter; menos requinte e mais engajamento.

Falam do ENEM como se ele fosse o responsável pelo colapso da educação brasileira. Mostram-se indignados com a ascensão dos pobres como se os ricos formados nas mais caras escolas de ensino médio fossem o suprassumo da sapiência. Coitados, são, na verdade, ignorantes bilíngues; alienados globais; almas vazias com roupa de grife. Tornam-se depois profissionais desumanos, diplomados acéfalos, bacharéis frios e mercantis.

O verdadeiro colapso da educação brasileira sempre foi a exclusão social que marginalizou nosso povo e privilegiou um pequeno grupo. Às elites, interessa que tudo continue assim, é claro! Afinal, a fórmula dá certo!!! Só para poucos, claro, mas dá certo!!!”

Para terminar, mais uma  ilustração da legitimação das Organizações Globo como veículo da meritocracia plutocrática. Apenas algumas pinceladas de seu editorial de 14/01/2013 contra as cotas raciais nas universidades públicas:  http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=482222&ch=n

“Se ela nascer “negra, parda ou indígena”, terá facilitado o ingresso no ensino superior público.”

 ”… a sua vida dependerá bem menos do esforço próprio do que de contingências de misturas de DNAs…”.

“Caso não tenha a sorte de ser “negra, parda ou indígena”, precisará contar com uma improvável fonte de renda para financiar o estudo num estabelecimento escolar privado ou tirar a sorte grande de obter alguma bolsa”.

“… provavelmente para desgosto de racialistas mais radicais”.

“… a contaminação da qualidade do ensino superior pelo ingresso de estudantes mal preparados”.

“Sob a ação de lobbies, preferiu-se a solução politicamente correta e demagógica das cotas raciais…,”.

 

 

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Categorias: Crítica, Mídia, Política, Sociedade | 4 Comentários

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4 opiniões sobre “Meritocracia plutocrática

  1. Moacir , me arrepiei com esse texto . Lindo demais . Esclarecedor e cheio de indignação . Ou como diria o músico : INDIGNA / ÇÃO , INDIGNA /NAÇÃO . Achei demais . Me lembrei de Brecht com sua Santa Joana dos Matadouros . E a pergunta que não quer calar , infame , é : a rede Globo é igual àquele que diz que é escritor , mas não escreve ?

    Beijos ,
    Ana

    • Ana, conheço alguns escritores que fazem de seus livros uma impossibilidade literária. nhenhe

      • Risos…sei bem a quem se refere .
        Moacir , tenho que pedir desculpas e prometer não dar mai estrelinhas para ninguém … risos..…vc merecia 5  e não sei pq errei mais uma vez … risos…

        Beijos 

  2. Ana, não se preocupe, quem gosta de estrelas é general. nhenhe

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