Convidado da sexta: Oswaldo Ferrero

Oswaldo_Ferrero_(58)Eu queria ter sido uma árvore. A árvore da alegria. Dar frutos em forma de risos e abraços. Espalhar a essência da ousadia. Sou daquelas sementes plantadas distante, e que num instante, cresceu. Virou árvore das grandes. Frutificou. Colheu. Sou a natureza da contradição. Vivi muitos amores e dissabores. Sorri e chorei. Gritei a emoção, a alegria e a dor. E quando triste, calei. Passei apertos. Enfrentei desafios. E por um fio, não perdi. Não fujo das batalhas se tiver opção. Ouço rock como oração. Conheci muitos lugares além do Rio. E continuo por aqui. Nasci homem, de cor rubro-negra, gingado mangueirense e olhar questionador. Não funciono a dinheiro. Tenho nome e sobrenome: Sou Oswaldo Ferrero.

A epidemia da esperança

O Brasil sofre de esperança. As autoridades, não. São como vírus e bactérias que propagam a epidemia corruptiva. E a esperança hemorrágica se revela através de sintomas como a fadiga popular e a enxaqueca político-partidária.

Em breve haverá uma Copa do Mundo neste país.  E teremos as Olimpíadas nesta cidade, que resiste em ser maravilhosa. Quando houve o anúncio dos respectivos eventos, os brasileiros foram às ruas comemorar. Eu ainda me pergunto: comemorar o quê?

Em 2007, o Rio realizou os jogos Pan-Americanos. Surgia a chance de mostrar a nossa capacidade para sediar os grandes eventos mundiais. E, de “quebra”, deixar um “legado” para a cidade, o estado e o país. Criar a infraestrutura necessária para alcançarmos o primeiro mundo. Desenvolver os transportes, a urbanização, a saúde, a educação, o turismo. Mas… Depois de um bilhão de reais gastos para construir e reformar, foram necessários menos de seis anos para perceber que a “febre” causada pelos jogos Pan-Americanos não foi tratada da melhor forma. Apenas uma das construções milionárias do Pan será, de fato, utilizada nas Olimpíadas em 2016: o Engenhão. O estádio que acaba de ser interditado por risco de ter a cobertura esparramada pelo chão.

Para que o Maracanã seja o “palco da final da Copa do Mundo da FIFA”, despejaram os atletas dos esportes aquáticos e do atletismo. As modernas e novas instalações do Julio Delamare e do Célio de Barros serão destruídas para dar lugar a estacionamentos. Na lógica financeira das autoridades, é lógico que carros valem mais que atletas. Na cidade que sediará os jogos olímpicos, que se danem os corredores, os nadadores, os ciclistas e qualquer esportista que precise de incentivo. O que há, de fato, é muita ladainha. Incentivar mesmo, só se for o bolso, as contas, as negociatas. Um bilhão de reais, de novo, para um novo Maracanã. De novo! A inauguração do estádio com uma partida entre amigos de Ronaldo e amigos de Bebeto escancara com clareza quem são os beneficiados em todo esse processo.

Não é um ponto de vista pessimista. Basta ter a oportunidade de conhecer Barcelona. Quem não a conhece, desconhece o que o Rio seria capaz de fazer. Depois de 1992, Barcelona se transformou. E até hoje, 2013, enriquece com o turismo que aprendeu a capitalizar. Barcelona não foi esperança. É uma realidade. Frente à crise europeia atual, é uma das raras cidades espanholas que consegue gerar dinheiro com o turismo, pois criou estruturas e se desenvolveu. Será que foi à toa que a Espanha revelou tantos protagonistas no esporte, em diversas modalidades?

Em 2012, Eduardo Paes se reelegeu porque dois milhões de votantes aceitaram a propaganda que mostrava um Rio “maravilhoso”, “moderno”, enfim, “bombando”. E o que percebemos através das notícias da imprensa, na internet, no boca-a-boca, são os erros, as ilegalidades, a falta de bom senso, os superfaturamentos que “bombam” em cada labirinto contratual envolvendo os eventos. Já planejam um grande “pé na bunda” nas próximas eleições. O “pau já come” com índios, professores, diretores, com quem queira protestar.

O Rio tornou-se um holofote para o mundo. Todos os olhos terráqueos se voltam para esta cidade. Seremos amados ou odiados pela responsabilidade que foi assumida. De fato, o Brasil tem dinheiro. Mas desperdiça. Políticos e dirigentes, com sangue verde nos olhos, estão enlouquecidos e enriquecidos. As estruturas com orçamentos faraônicos substituem aços e metais por plástico e porcelana. E o que “vem por aí”? Uma monstruosa propaganda. A melhor Copa. A melhor Olimpíada. Uma das melhores maquiagens de todos os tempos.

Duvido que saia em alguma capa, em alguma primeira página o derradeiro legado de tudo isso. Tudo que foi negado, roubado, enganado. E para iludir o povo, a lista com todos os remédios medicados?

Boa esperança a todos. E um bom plano de saúde. Qual será a senha chamada?

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Categorias: Reflexões, Sociedade | Deixe um comentário

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