Estádio Operário Odair da Silva

 

O início da partida para construir o Engenhão estava orçado em 60 milhões, mas o final do placar ficou na casa dos 380 milhões. Noves fora a gorjeta das empreiteiras e dos políticos, o estádio foi a joia da prefeitura na fatura do Pan de 2007.

Uma CPI foi devidamente abafada pela bancada governista na Câmara dos Vereadores. Na ocasião, quem não levou o seu não está vacilando no faz-me rir da Copa e das Olimpíadas.

Somente a ganância e o descaso poderiam nos dar uma explicação para um estádio tão novo estar interditado desde março por apresentar rachaduras na estrutura metálica que sustenta a cobertura. Enquanto os laudos encomendados por Dudu tentam informar se o problema é no projeto ou na execução, a população vai pastando no gramado do Engenhão.

O engenheiro Antônio Eulálio descobriu o que a intuição do povo já desconfiava: o aço usado na estrutura da cobertura do estádio não foi o melhor. “Poderia ter sido adotado o aço de alta resistência  à corrosão, com 50% a mais de resistência e custo maior de 10% a 15%. Mas o custo-benefício seria melhor para o Poder Público”, disse o sábio Eulálio.

A mudança de nome do Estádio Olímpico João Havelange dança no ritmo de interesses comerciais. A diretoria do Botafogo, inquilino do estádio, em parceria com maganos da exploração comercial, pretende negociar os naming rights com alguma empresa.

Passaram a evitar o nome popular na mídia. Chamavam o Engenhão de Estádio Olímpico. Em novembro de 2009 anunciaram a modificação para Stadium Rio, uma prévia em latim que deverá receber à sua frente o nome de um patrocinador. Por outro lado, existe um Projeto de Lei para mudar o nome para Estádio João Saldanha.

Segundo documentos divulgados pela justiça da Suíça, os gêmeos xifópagos Ricardo Teixeira e João Havelange receberam mais de R$ 45,4 milhões em propina entre 1992 e 2000. Em Brasilândia, todos sabiam que os dois eram unidos pelo tórax e sofriam de cleptomania. Esse numerário seria realmente um bom motivo para tirar a homenagem ao magano.

Mudar o nome para João Saldanha seria uma justa homenagem ao consagrado jornalista esportivo. Porém, mais justa seria a homenagem ao homem que morreu trabalhando na construção do estádio. Odair da Silva tinha 27 anos quando caiu de uma altura de 14 metros em fevereiro de 2007, no ritmo frenético das obras para inauguração antes do Pan.

Daí a proposta de mudança do nome para Estádio Operário Odair da Silva.

 

Fui dar umas voltas nos arredores do Estádio Odair da Silva e tirei algumas fotos para registrar as benfeitorias que o poder público realizou, com todo esmero e zelo, para o bem-estar da população. 

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Fotos do autor

Em segundo plano, a tarde caiu feito o Viaduto da Abolição, obra necessária para os torcedores nos dias de jogo e completamente desnecessária para o dia a dia dos moradores das redondezas. Dúzias de imóveis e alguns estabelecimentos comerciais foram desapropriados para a construção do viaduto.  Dizem que um senhor morreu de enfarte por não suportar a ideia de mudar-se para outro bairro. Uma árvore de raízes profundas não pode ser transplantada impunemente.

O bar do Mário, onde o pessoal bebia sua cerva e contava bravatas, estancou no vazio da terra batida em primeiro plano. As pipas que seu Mundinho fazia coloriam os dias da garotada. Já não há pipas. Já não há mais a casa de seu Mundinho. O vazio que vemos na foto é a mesma lacuna que as casas demolidas deixaram na memória desses corações suburbanos. Seu Vigário disse que a prefeitura vai construir “alguma coisa” neste espaço. Enquanto “alguma coisa” não é construída, seu Vigário vai caindo em seu próprio conto. 

 

ImageNa foto, uma pequena contribuição dos moradores para o impecável projeto paisagístico nas cercanias do estádio.  Os objetos meticulosamente sobrepostos e a abundância de plantas verdes e a cobertura das árvores fazem com que esse jardim pareça uma tela verde entrelaçada por correntes de vento.

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo, detalhe da  parte externa da Ala Norte do estádio. Podemos  observar a pista de obstáculos  como o legado da prefeitura para os moradores ficarem em forma.  Ressalte-se a largura da pista onde todos podem correr e caminhar confortavelmente, sem contar com o espaço da ciclovia projetado pela Rio Urbe para que as pessoas possam usufruir desse espaço privilegiado de lazer. 

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Vista panorâmica do Viaduto da Abolição. Neste canto, as casas demolidas deram lugar a uma linda praça onde os filhos dos trabalhadores brincam com toda alegria e segurança.

Em azul está a Lona Cultural da Abolição, um espaço para shows, teatro, oficinas e uma extensa agenda diversificada.

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Neste ângulo, temos uma Unidade de Pronto Atendimento 24h cuja estrutura compõe uma rede organizada de atenção às urgências que coordena o fluxo de atendimento e Imageencaminha ao serviço de saúde adequado à situação.

 

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Categorias: Sociedade | 2 Comentários

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2 opiniões sobre “Estádio Operário Odair da Silva

  1. Clara

    Muito bom!!! Parabéns!

  2. Walace Cestari

    Sensacional, Moa. Tótens ao descaso com seres humanos que, nos escritórios, só vivem fantasiados de números…

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