Aumenta que isto aqui é roquenrol!

rock geral 2

O Dia Mundial do Rock (doravante, roque) foi no sábado, 13/07. Nesse dia, precisava eu extrapolar a fúria despertada pelo desgovernador Sérgio Cabral, de volume suficiente para me levar a adiar em três dias meu artigo sobre essa temática tão umbilical. Afinal, quem não gosta de roque bom sujeito não é. E roque , desde a gênese, carrega um quê de vandalizador, certo?! 😛

Este é mais um texto para se OUVIR! Então, tal qual a paráfrase ao refrão-título da canção de Celso Blues Boy referida no título acima, aumenta, vai…

Vou tentar aqui dar conta de três coisinhas simples, só que não… Contar um pouquinho (bem pouco mesmo!) de história, falar de minhas apreciações e, claro, postar bom roquenrol!

rock love

Começo relembrando que tenho outros artigos, já aqui transversados, sobre roque: o recente Wish you were here, Balance e role sem fronteiras…, MPP & Roque Tuga e Saudades de quando os olhos se moviam rapidamente. Em dois desses, tratei de roque bem alternativo, outside mesmo. Aqui, de fato, tratarei do mainstream do roque. Claro que− sem novidades pra quem me conhece− sem perversões de punk aqui, afinal este é um texto decente (algum dia, quem sabe, escreva sobre minha contundente opinião sobre o abjeto punk)!

Pra começar, por que 13 de julho? Bem… nessa data, em 1985, foi quando Bob Geldof, músico e organizador de um dos maiores eventos da história do roque−e que, não bastasse, vem a ser o ator que encarna o personagem principal do filme The Wall, do Pink Floyd, dirigido Por Alan Parker, que conheceu Geldof, casualmente, num táxi− o Live Aid, realizado, pela primeira vez, em 13/07/85 [mesmo ano da 1ª edição do Rock (still) in Rio]. O concerto reuniu, simultaneamente, quase 100 mil pessoas na Filadélfia e 82 mil em Wembley, com apresentações de dezenas de bandas e artistas, durante mais de 16 horas de evento transatlântico, pelas vítimas da fome na Etiópia. Um evento memorabilíssimo. Foi talvez a maior transmissão, ao vivo, de um evento de roque na história, com, estimadamente, mais de 1,5 bilhão de telespectadores, via satélite.

Vinte anos depois, em Londres, de 02 a 06 de julho, seria realizado o Live 8, para pressionar o G8 a perdoar dívidas dos países africanos. mais de mil artistas no palco. Aqui a transmissão foi da MTV. O momento mais esperado do megaconcerto no Hyde Park foi a primeira reunião da formação clássica do Pink Floyd, com Gilmour e Waters juntos no palco, desde 1981 e a pedido do ator que interpretara o personagem Pink, em The Wall, Geldof.

[Confesso que até arrepia postar isso!]

Curiosamente, o Brasil é um dos países mais devotos da data de 13/07. Nos principais centros mundiais de roque, são mais comuns celebrações noutras datas em que haja fatos marcantes da história de bandas icônicas.

Mas, voltemos aa gênese de tudo. Nos idos dos anos 40, surge nos EUA, aparentado do blues e, em diálogo amplo com jazz, country, bigbands, dentre outros o rock and roll, como seria batizado pelo dj Alan Freed (Ohio), em 1951, derivada da então gíria muito caracteristicamente negra, tal qual o estilo em si, em seu nascedouro, rocking and rolling (literalmente “balançar e rolar”, mas, na gíria, “dançar” ou mesmo “transar”). Há quem distinga rock and roll de rock. Segundo tal distinção, rock and roll se referiria ao conjunto da produção musical, fundamentalmente negra, surgida nos EUA, entre os anos 40 e 50, que contaria, muito comumente, com piano e/ou sax no papel de base musical, aos poucos daí desbancados pela guitarra. Inclusive, um marco, por muitos assim considerado, entre o que seria o rock and roll e o rock é exatamente a absolutização da guitarra como instrumento principal e o apogeu midiático do segundo, saindo do “gueto negro” e se “embranquecendo” decisiva e irreversivelmente.

Particularmente, prefiro simplificar toda essa questão estilístico-terminológica pensando no roquenrol ou simplesmente roque como um mesmo estilo surgido do blues; aliás, uma espécie de “blues aas avessas”, já que neste a base é a guitarra e o baixo é o instrumento de superfície, ao passo que, no roque, o baixo fica encoberto na base, enquanto a guitarra sola.

Primeiro grande marco de popularização, já embranquecida do estilo foi Rock around the clock, de Bill Halley, gravada em 1954. Nela ainda percebemos, com clareza, muito de ares de big bands.

Contudo, o roque se embranquece pra valer e em velocidade meteórica com Elvis Presley, num vórtice de sucesso e estrelato inimaginável até então:

O roque embranqueceu mas não esqueceu de sua gênese como estilo de protesto, de contestação, mesmo com toda a assimilação pela indústria fonográfica/mídia, ainda mais aprofundada depois que o estilo cruza o atlântico e chega ao que se tornaria a pátria do roque: a Inglaterra. E foi aí que surgiu um fenômeno ainda maior do que Elvis: os quatro fabulosos rapazes de Liverpool! É indescritível o que eles fizeram pelo roque. Reinventaram-no e lhe deram ares de sonho ilimitado e tão eternizado quanto as dezenas de memoráveis canções que atravessam tão incontáveis vidas. Até hoje, parte apreciável da base harmônica que conduz o mundo roqueiro bebe nas fontes de Liverpool.

[Muito difícil escolher uma canção dos fabfour pra postar aqui, mas esta conta com tanta simpatia de tantos fãs, como exemplar que reúne demonstrativo do talento técnico da banda…]

"Wish you were here in Abeey Road". Homenagem a dois ícones da história do roquenrol.

“Wish you were here in Abeey Road”. Homenagem a dois ícones da história do roquenrol.

E vejam que, embora reconheça a contribuição dos Beatles, particularmente, dentre eles e os Stones, prefiro o The Who, muito roquenrol (aumente agora, aa vera!):

vitruvianoPor mais que possa soar com ares pueris esta afirmação, o roquenrol tem na rebeldia uma de suas significações mais arraigadas. Sem inocências, afinal, sabemos a sociedade em que vivemos e do nível de controle que ela tem sobre os limites de rebelião a que está aberta. Aliás, a tal vertente punk muito bem exemplifica essa “rebeldia” consentida, de vitrine, com prescrição e tudo (mas, isso é papo pr’outra hora). De todo modo, desde a Louisiana e New Orleans, essa é uma chama que, mesmo em ventania adversa, se mantém crepitante.

[Sim, tinha de ser um clipe com motos. Em especial do filme que catapultou a canção e criou esse vínculo de referências.]

O bom e velho roque já não é mais tão dançante. Abriu espaço a reflexão e tanto mais… O roque virou um pouco de tudo. Ao fazê-lo também se tornou múltiplo e polissêmico, com subestilos bem ao gosto das necessidades de mercado, como também das possibilidades de expressão. Hoje denominamos roque coisas tão díspares que não me espantaria se cem anos no futuro nossos descendentes derem a isso outra sistematização e denominações.

Roque é sentir, é viver, ir além! Essa propulsão vital de arrebatamento continua a criar eternitudes! Sempre.

[Eternamente em mentes e corações]

Há dezenas, centenas de referências que poderiam (e talvez devessem) ser aqui citadas, mas convivemos com as limitações de todas as ordens das quais o próprio roque nos tenta libertar, inclusive a de espaço. Assim, sem esquecer da plêiade de aflitivas não citações, termino com dois exemplares que captam bem o espírito que afinal tem impulsionado o roquenrol adiante, em marcha acelerada…

Never!

NEVER!

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