Suicídio

Image

Fora a claridade. Cerro os olhos, visão turva, juízo afetado pelas poucas horas de sono apesar dos remédios. Ouço longe palavras que perderam o sentido. Dentro de mim o vazio. Não sei em que momento as coisas tomaram esse rumo torpe, esse desvio abrupto das vozes. Neblina em mim. Não nos reconheço na fotografia incômoda no quarto. Ecoam-me labirintos.

Perdida em divagações circulares, encontro-me com o pensamento nu, a alma nua. O corpo já não. Queria gritar. Não consigo. Queria fugir. Para onde? Queria saber-me plena de possíveis. O tempo são incertezas. Deixo cair o copo de vodka. Ainda não há torpor suficiente para encarar o espelho. Ainda não há razão eficiente para encarar a mim e as minhas escolhas.

Entre dois caminhos, por que sempre o mais difícil? Deveria procurar uns amigos, ignorar o decoro, vandalizar as emoções reprimidas desse amor vadio. Prefiro ficar entre os desdobramentos de mim. Busco a compreensão do que não se pode entender. Desafio à razão e à sensibilidade.

Sorriso-armadilha. Pedra atada ao pescoço. Gosto acre do enredo. Não há mais nós que nos atem. Mãos-âncora. Olhos-abismo.  Mergulho suicida nos teus lábios.

Anúncios
Categorias: Reflexões, Verso & Prosa | Tags: , , ,

Navegação de Posts

Os comentários estão desativados.

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: