Raciocínio clínico X Raciocínio cínico

                Acho linda a capacidade de síntese que me falta. Vivo a gastar tempo e letras a mais para dizer o óbvio. Por causa da vinda dos médicos cubanos, nem se fala, que não se falou de outra coisa a semana toda. Daí que andei a comentar o absurdo de se restringir o exercício das artes médicas à dependência de equipamentos e laboratórios de análises, que havia médicos muito antes das tomografias e ressonâncias e blablablablabla. Foi então que encontrei o Marcelo Coltro, médico brasileiro, resumindo tudo sem firula“Talvez os médicos cubanos possam trazer para nós um resgate do raciocínio clínico que as escolas de medicina e as profissões ao longo dos anos foram perdendo por conta de um adensamento tecnológico muito grande”.  

            Achei que tinha entendido o sentido da coisa mas fui olhar na Wikipedia e outros oráculos virtuais para garantir. Pronto. Não tem mistério. O raciocínio clínico é a forma utilizada por médicos para fazer diagnósticos de doenças. É o raciocínio mental que faz com que o médico chegue ao diagnóstico correto a partir do problema apresentado pelo paciente, a partir da queixa do paciente. Agora vejam se não é um ovo de Colombo:

“Etapas do raciocínio clínico

  1. O problema / queixa principal: é a queixa do paciente, fase inical da consulta e do raciocínio clínico.
  2. Anamnese: O médico coleta informações da história clínica: escuta as queixas e questiona e esclarece profundamente sintomas.
  3. Anamnese especial: São feitas perguntas sobre outros sistemas orgânicos em busca de doenças coexistentes.
  4. Exame físico: O paciente é examinado em busca de sinais positivos e que possam ter relação com os sintomas apresentados.
  5. Exames auxiliares: O médico analisa alterações nos exames laboratoriais.
  6. Formulação da hipótese diagnóstica – mais do que nas outras, é o momento em que a probabilidade e a estatística vêem mais à tona.

Apesar de raciocinar de forma intuitiva, o médico utiliza de seus conhecimentos de lógica e das leis de probabilidade para alcançar o seu objetivo – o diagnóstico correto. A certeza diagnóstica não é matemática, é probabilística – o diagnóstico correto é o diagnóstico mais provável.

Nesta busca, o médico deve/deveria estar familiarizado com conceitos de sensibilidade, especificidade e valor preditivo dos métodos diagnósticos para obter maior sucesso na assertiva do diagnóstico.

À medida que novos sintomas são relatados, o médico inclui ou exclui possíveis doenças que mais se encaixam nas suas probabilidades diagnósticas. Para isso é de fundamental importância conhecimentos de epidemiologia clínica no apoio à esta análise. Cada doença apresenta sintomas e sinais que são analisados como ausente ou presente e devem ser expostos como testes epidemiológicos relacionando-os com sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP) e negativo (VPN), razão de verossimilância para a melhor formulação diagnóstica.

Entretanto, poucas doenças tem seus sintomas descritos em termos de sensibilidade, especificidade, valor preditivo e razão de verossimilhanca; e as poucas que existem são descritas com um número pequeno de pacientes (n pequeno) na amostra estudada.

Um exemplo de uma análise e do uso de dados epidemiológicos para a tomada da decisão clínica e apoio ao raciocínio clínico foi feita com a Sinusite e seus preditores utilizando a Razão de verossimilhanca para conduzir a tomada de decisão do médico.”

            E foi assim, por conta do sintético e preciso diagnóstico do Marcelo Coltro,  que entendi melhor porque dezenas de pessoas que conheço já receberam diagnósticos errados e ficaram vagando de consultório em consultório até descobrir o que os afetava. Apesar de viverem em grandes centros e terem acesso a laboratórios clínicos e equipamentos diagnósticos de última geração. O caso mais ridículo de que tenho notícia,  desculpem a auto-promoção, fui eu mesma que diagnostiquei. Um jovem amigo músico depois de passar por 3 especialistas que lhes pediram exames de sangue, radiografias e ressonâncias continuava com os mesmos sintomas de inapetência, enjôos e apatia. Vai daí que eu, que conhecia bem o tipo, seus hábitos alimentares e falta de cuidados básicos de saúde, cravei o meu palpite: vermes. Não deu outra. Volta ao clínico com a hipótese diagnóstica, exame de fezes realizado e um pianista mais feliz no mundo. Será que os médicos que o atenderam haviam cumprido as 4 etapas iniciais necessárias ao exercício das suas artes ?

                É isso. Tomara mesmo os médicos cubanos ensinem, como Marcelo Coltro me ensinou a dizer, a importância do raciocínio clínico para quem ainda não entendeu e para os que insistem em atacar o Programa mais médicos com argumentos pífios.   Porque de raciocínio cínico já andamos fartos.

Imagem

Festa de formatura da Pontifícia Universidade Católica de Goiás

 

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