Se liga no papo

 

I

Já não bastam as dezenas de revistas de fofocas, a praga dos paparazzi, a bestialidade grotesca dos reality shows e a pestilência das semicelebridades que alimentam o imaginário da paixão pelo nada. Além de toda essa mediocridade festejada, uma passadinha numa livraria faz com que nos deparemos com toda sorte de biografias e autobiografias. Um filão editorial que se nutre da curiosidade abestada de fuxicos e futricas de leitores vesgos. 
Interessar-se por demais pela biografia alheia é desinteressar-se muito pela própria. Escrever uma autobiografia, além de ser um delírio cabotino, é dar muita importância às próprias mentiras.
Esse papo de que “temos que garantir a livre expressão e a livre circulação de ideias e informação” é falácia de quem quer tirar vantagem financeira com a vivência alheia. A vida privada é inviolável. Se o sujeito não quer que escrevam sobre sua primeira experiência sexual que vão foder a paciência de outro.
Outros ainda vêm com a prosinha de que “proibir a publicação de biografias não autorizadas é censura e, por isso, inadmissível no Estado de Direito”. Isso é uma idiotice no substantivo e no adjetivo. O Estado de Direito tem com função profícua garantir os direitos individuais e não garantir o emprego dos biógrafos de plantão e a avidez de lucro de suas editoras. Em nome da “censura” querem censurar o direito de privacidade do indivíduo. Vão ver se seu Vigário tá lá na esquina.
No papo atilado e reto é o seguinte: quer conhecer um escritor ou artista? Leia seus livros, ouça sua música, assista a seus filmes… Estude sua obra. Depois, bem depois, veja se existe uma biografia dele ou dela. Caso não exista, procure fazer de sua biografia algo que valha a pena quando a alma não se apequena.

 

II

Quem dera o judiciário brasileiro interpretasse a lei em favor do povo como fez este juiz. Justiça, nada mais que a justiça.

Juiz indeferiu nessa quarta-feira (9) pedido de reintegração de posse da reitoria da USP. 
Leiam as palavras de ouro do magistrado:

“Certamente, é muito mais prejudicial à imagem da USP, sendo a universidade mais importante da América Latina, a desocupação de estudantes de um de seus prédios com o uso da tropa de choque, sem contar possíveis danos à integridade física dos estudantes, ratificando, mais uma vez, a tradição marcadamente autoritária da sociedade brasileira e de suas instituições, que, não reconhecendo conflitos sociais e de interesses, ao invés de resolvê-los pelo debate democrático, lançam mão da repressão ou da desmoralização do interlocutor”, escreve o magistrado. “Aqui, não se olvide que sequer escapa desse ‘pensamento único’, infelizmente, a maioria da mídia e da própria sociedade, amalgamada, por longos anos, nessa tradição de pensamento autoritário.”

 

III

Como todos já sabem, os governos do Rio e de São Paulo retiraram dos porões da ditadura a cruenta Lei de Segurança Nacional. Selecionei alguns artigos e parágrafos do trambolho jurídico promulgado pelo último equino da ditadura militar, de modo que não restem dúvidas de que estamos vivendo tempos de um Estado de Exceção. A lei tipifica condutas de natureza eminentemente política. Os empresários donos dos grandes meios de comunicação manipulam a informação, fazendo a população crer que se trata tão somente de um instrumento legal para coibir “baderneiros” e restituir a paz e a ordem ao povo brasileiro, que deve se manifestar de forma pacífica e ordeira, vestindo a camisa da seleção, agitando a bandeira nacional e cantarolando: “Sou brasileiro, como muito orgulho, com muito amor”.

LEI Nº 7.170, DE 14 DE DEZEMBRO DE 1983.

Art. 1º – Esta Lei prevê os crimes que lesam ou expõem a perigo de lesão:
I – a integridade territorial e a soberania nacional;
Il – o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito;
Ill – a pessoa dos chefes dos Poderes da União.
Art. 16 – Integrar ou manter associação, partido, comitê, entidade de classe ou grupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de Direito, por meios violentos ou com o emprego de grave ameaça.
Art. 17 – Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito.
Art. 20 – Devastar, saquear, extorquir, roubar, seqüestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas.
Art. 22 – Fazer, em público, propaganda:
I – de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social;
§ 1º – A pena é aumentada de um terço quando a propaganda for feita em local de trabalho ou por meio de rádio ou televisão.
Art. 23 – Incitar:
I – à subversão da ordem política ou social;
III – à luta com violência entre as classes sociais;
Art. 25 – Fazer funcionar, de fato, ainda que sob falso nome ou forma simulada, partido político ou associação dissolvidos por força de disposição legal ou de decisão judicial.

 

IV

Toneladas de medicamentos encontrados vencidos num galpão da prefeitura eram destinados para tratamento de doenças como tuberculose e aids. Vacinas para febre amarela, antitetânica e influenza (gripe) também estavam vencidas. O secretário de saúde deveria estar preso. A prefeitura mente descaradamente ao dizer que compra medicamentos com sobra. Esta “sobra” é a propina negociada com os laboratórios.

 

V

Paulo Coelho deu três pulinhos e esperneou: “não vou, não vou, não vou à Feira de Livros de Frankfurt. Não gostei da turminha de escritores brasileiros que foi convidada pelo governo. Minhas amiguinhas Thalita Rebouças e Martha Medeiros não foram convidadas. 
O pilantra não foi eleito da primeira vez que se candidatou à vaga rotativa na ABL. De volta ao páreo em 2002, bateu o cientista político Hélio Jaguaribe por 22 votos a 15. Um insulto a um dos maiores escritores e intelectuais brasileiros. A disputa foi uma das que mais mexeu com a Academia e também com a opinião pública. Insatisfeitos com a candidatura do “Mago”, críticos literários lançaram um desafio à Academia: ou rejeitavam Coelho, por entender que ele não tinha cacife para figurar em uma Academia de Letras séria, ou o aceitavam, reconhecendo que a instituição em si é que não era séria. A ABL aceitou Coelho, alegando que ele daria visibilidade nacional e internacional à Casa, por tratar-se de um best seller.
O Grão-Vizir da literatice classe C é inimigo do estilo e pensa ser amigo do conteúdo. A inexistência daquele não esconde a empulhação deste. Sua concepção de literatura é um lodo mercadológico a serviço das águas rasas, quase estagnadas. A forma de seus livrecos é a fôrma de frases de para-choques místicos, ervas de autoajuda, ocultismo de brumas medievais, filosofemas de paralepípedo e rodapés de escribas do baixo clero. A isso se soma a vontade visceral da mediocridade globalizada. Toda essa alquimia do ouro de tolo conjuga-se a um “estilo” prosaico, de nível pedestre, que não exija do leitor a mais leve nuance de pensamento. Esta é a receita do filão caça-níquel de uma literatura pré-moldada na coxia dos leilões milionários do mercado editorial.

 

Todos na campanha “Mantenha a cidade limpa, quebre uma agência bancária”

Se um correntista tivesse depositado R$ 100,00 na poupança em qualquer banco, dia 1º de julho de 1994, teria hoje na conta R$ 374,00. Se esse mesmo correntista tivesse sacado R$ 100,00 no Cheque Especial, na mesma data, teria hoje uma dívida de R$139.259,00 no mesmo banco. Não é à toa que o Bradesco teve em torno de R$ 2.000.000.000,00 (Dois Bilhões de Reais) de lucro liquido somente no 1º semestre de 2013, seguido de perto pelo Itaú. Dá para comprar um outro banco por semestre!

 

Professores contra a ditadura, o retorno.

Em 2013, os professores lutam contra as ditaduras de Eduardo Paes e Sérgio Cabral. Em 1979, na ditadura militar, os professores do Rio desafiaram o regime e entraram em greve dia 11 de março. A greve foi encerrada no dia 24 de março. Mas as negociações com o governo do Estado não prosperaram e os professores voltaram a parar, em 1° de agosto.
O movimento foi declarado ilegal e alguns professores foram presos no Rio e em Duque de Caxias. Mesmo assim, os protestos prosseguiram, com passeatas e piquetes, muitas vezes dispersados com jatos de água. O Dops lacrou a sede do sindicato dos professores e prendeu os líderes do movimento, ameaçados de serem processados com base na Lei de Segurança Nacional.
Em 24 de agosto, os professores decidiram encerrar a paralisação e voltaram ao trabalho. Em dezembro, receberam o reajuste prometido pelo governo. Com o aumento, o piso da categoria passou a equivaler a cinco salários-mínimos.

 

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