Outros outubros, novos novembros

Duas datas, uma Revolução. 25 de outubro (segundo o calendário juliano, então em vigor na Rússia) e 07 de novembro (para o calendário gregoriano)!

Outubro e Novembro, nomes originalmente derivados dos numerais oito e nove. Remetem, por semelhança de radicais, a outro e a novo. Construir outra sociedade, uma nova sociedade!

bolo comuna

Não pretendo aqui traçar análises e balanços sobre a historicização da Revolução ou dos anos que a sucederam. É um texto celebrativo que homenageia o esforço e empenho de mulheres e homens que ousaram construir o que parecia impossível: uma revolução socialista, ainda mais na Rússia, elevando a condição humana do país e construindo uma referência mundial na luta por direitos dos trabalhadores.

Costumo sempre declarar minha sincera saudade dos tempos de Guerra Fria, do Leste Europeu, da União Soviética… Após a queda do bloco socialista, a situação dos trabalhadores em todo o mundo piorou bastante. Nesses cerca de vinte anos, o neoliberalismo se impôs brutal. Contudo, 1917 ainda é uma referência e um farol, não por guiar o caminho, mas por dissipar a escuridão.

[Esse hino, adotado a partir de 1944, me emociona mesmo!]

[Transliterando…]

Soyuz nerushimy respublik svobodnykh

Splotila naveki velikaya Rus’!

Da zdravstvuyet sozdanny voley narodov

Yediny, moguchy Sovetsky Soyuz!

 

Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,

Druzhby narodov nadyozhny oplot,

Partiya Lenina – sila narodnaya

Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!

 

Skvoz’ grozy siyalo nam solntse svobody,

I Lenin veliky nam put’ ozaril,

Na pravoye delo on podnyal narody,

Na trud i na podvigi nas vdokhnovil!

 

Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,

Druzhby narodov nadyozhny oplot,

Partiya Lenina – sila narodnaya

Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!

 

V pobede bessmertnykh idey kommunizma

My vidim gryadushcheye nashey strany,

I krasnomu znameni slavnoy otchizny

My budem vsegda bezzavetno verny!

 

Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,

Druzhby narodov nadyozhny oplot,

Partiya Lenina – sila narodnaya

Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!

urss

Союз Советских Социалистических Республик
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

[Como foi decisivo em minha vida ter sido uma criança que cresceu na Guerra Fria… Aos 10 anos, apresentei meu primeiro trabalho que envolvia pesquisa, estudo, organização de informações e posterior exposição. Nele, defendi, a pedido próprio aa professora, o socialismo. Até hoje, sou um estoquista no melhor estilo bunker dos anos de eminência dum ataque nuclear… Pena que, assumo envergonhado, tenha torcido por Rocky e não por Drago!]

Feita a digressão saudosista, voltemos ao ano que abalou estruturas. Em 1917, provou-se que é possível outra construção de sociedade. Reveses que se tenham sucedido não apagam a força desse sentido histórico. É por saber disso que se faz tão necessário calar vozes dissonantes, massacrar movimentos que buscam democracia real, que desnudam a sociedade em que vivemos.

quadrinho

supermarx

É verdade que o sentido do poder popular se possa ter perdido em meio aa continuidade do processo histórico, mas é a própria história que nos deve assegurar perspectivas. A Revolução Francesa, por exemplo, não foi a tomada da Bastilha e pronto, mas um longo processo histórico que passa não só pelo desmantelamento da estruturação feudal, mas que se relaciona historicamente também aa Revolução Industrial, ao Iluminismo, aas Grandes Navegações, ao Renascimento num circuito de fatos que mantêm ora maior, ora menor coesão entre si e que eclodem numa nova estruturação social, aí sim, estabelecida pela Revolução Francesa. De mesmo modo, a Revolução de 17 foi um capítulo da construção necessaríssima da história do socialismo na face da Terra. Mesmo outubro de 17 se construiu de momentos que culminaram em outubro, em especial 1905 e, só doze anos depois, fevereiro de 17. A esse respeito, não cabe se pensar ingenuamente no socialismo como contraposição ao capitalismo, mas sim como obrigatória superação desse, bem no sentido em que Marx claramente apontava. Talvez tenha sido esse um dos mais evidentes equívocos práticos da condução soviética.

1917

É também verdade que nem Marx imaginou a possibilidade duma revolução socialista na Rússia, país aa margem da organização capitalista mundial. Pro barbaça, a revolução haveria de ocorrer no centro do capital. A Alemanha foi assim uma aposta fracassada, especialmente após os assassinatos dos camaradas Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. Coube a Rússia, em pouco tempo, União Soviética, quem diria, soerguer-se potência mundial!

Muitos problemas, sem dúvida, mas o alento aos trabalhadores de todo o mundo, de todos os cantos, a vitória sobre o nazismo na 2ª Guerra e a preponderância na disputa tecnológica com o bloco capitalista não são feitos desprezíveis.

stalin derruba nazismoCulto aa personalidade?! Infelizmente sim. Uma distorção total que Cuba, por exemplo, parece encaminhar de forma bastante diferente. Mas o que esperar duma sociedade secularmente patriarcal e czarista? As mudanças ocorrem sempre a partir de dada base existente e, em processo dialógico, mudança e permanência vivem de mãos dadas a caminhar.

Mais que isso, falhas na disputa ideológica cotidiana. O trabalhador no socialismo não pode nutrir por sonho o carro do capitalismo, como símbolo de poder e de conforto individual.

[A Internacional, hino russo/soviético de 1918 a 1944]

bandeira urss

1917 construiu o possível naquele momento e espaço histórico-socialmente restritos. Esse será sempre um marco de propulsão aos trabalhadores.

Sei que os tempos atuais são ideologicamente descrentes, mas também sei que, “há anos que não valem por um dia e há dias que valem por anos” (Lênin) e mais que isso, sei que a História não acabou. Continuamos a viver numa sociedade de exploração, num mundo que, para funcionar bem, é preciso que a esmagadora maioria da população leve uma vida de limitações e precariedade para sustentar uma minoria parasitária. O capitalismo mata aos montes! Mata como condição sine qua non de seu funcionamento. Haverá um momento histórico em que o capitalismo nos será ainda mais absurdo do que o feudalismo. Como podemos permitir por séculos o genocídio do capital contra nossa própria espécie?

tres

 V Internacionalenin-artl* (Vladimir Maiakóvski)

Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
“A”
este “a”
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
“B”
é uma nova bomba na batalha do homem.

(Tradução: Augusto de Campos)

*poema inacabado.

[Cenas de Outubro, filme de Sergei Eisenstein, um dos maiores da história do cinema.]

O tempo está a nosso lado, ao lado da humanidade em sua natural condição solidária. Temos todo o vasto futuro pela frente! A 1917 e ao futuro!

relogio

[Este texto foi todo escrito ao som do hino soviético no “repeat”, mas pra trazer outras referências oportunas…]

lenin 2

Sem perder a ternura jamais.

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Categorias: Política, Reflexões, Sociedade | Tags: , , , , | 3 Comentários

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3 opiniões sobre “Outros outubros, novos novembros

  1. Luis

    Amei sua homenagem ao novo e a outra!

  2. Pingback: Notas de revoluções | transversos

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