Poeta convidado: a arte de Marco Dantas

Marco Dantas, ou simplesmente, Marquinho é um velho conhecido de parte da equipe deste blogue, e é, pra nós, um duplo prazer- pelo velho companheiro e pelos textos em si- receber aqui os poemas dele. Marquinho foi, nos anos 90,  um destacado militante do movimento estudantil da UERJ, sempre na linha de frente das lutas. Embora do Instituto de Letras, desconhecíamos a agora revelada verve literária do companheiro.  Marquinho: de lutas e de lirismos. É uma honra ter aqui a poesia do Marquinho a ser oferecida em nosso blogue.

marco dantas

 

 

Encantamento Indissociável

Preciso sair para entrar

marquinho 1

 Necessito esquecer para lembrar

Tenho um rio para percorrer

Coloco a vida a perder

Vejo você na bruma da praça

Tento tergiversar e iludir o reaça

Cruzo a indistinção e chego até você

Quero sentir seu perfume

Incólume no alto do cume

A bandeira escarlate tremula

Rasgada, mas com ternura

 

 

Hipnose

marquinho 2

Voltar para frente Submergir do fogo

Despir o demagogo

Transgressão latente

Mutilar o engodo

Subversão em mente

Versificar com nojo

Hipnotizar o mundo indecente

 

 

Imaginem a imagem

Não há imagem que preencha a imagem do vazio e não há vazio que não possa ser preenchido pela vazia imagem.

A imagem enche-me de esperança para preencher o vazio, fazer transbordar toda a utopia contida dentro de minha [mente maltratada pelo senso comum e levantar as mãos com punhos cerrados por mais uma vez.

Meu vazio coração acredita com toda a força nas imagens dos livros, das ruas e da história.

marquinho 3

 

 

Inabalável direito de ir e vir

Lamentar e chorar

Depois, lutar

marquinho 4

Temer e sofrer

Depois, correr

Respirar e lembrar

Depois, parar

Sonhar e gritar

Depois, voltar

Pintar e cantar

Depois, tocar

Ocupar e resistir

Depois, sorrir

marquinho 5

 

 

Musicalidade vivida e sentida

Decifre a lógica de sentir prazer

Na musicalidade da sensível alma

Cabe ao outro sentir e transcender

Raiva e catarse abalam essa calma

Indignação não se pode esconder

Cante, vibre, chore e bata palma

 

 

Percurso

Veja o que eu tenho para falar:

Escute a voz rouca da rua

marquinho 6

E entenda o recado do meu olhar

Basta de lavar roupa suja

Estenda sua indignação secular

Reme contra a maré e vá

Mesmo sem saber onde a onda vai quebrar

Acreditar no velho discurso não dá

Inexiste criar expectativa vulgar

Liberte-se da submersão de sua consciência

Fale pra mim o que tenho que enxergar

 

 

Quimera

marquinho 7

Quem dera

Que me dera

A aquarela

Com aquela

Cor amarela

Criatura bela

E Paralela

Com a atmosfera

Triplamente fera

Quimera

 

 

Repensar e recomeçar

Deslize lentamente em direção ao penhasco

Feche os olhos e reconstitua a sua sagacidade

Decline do simples, rechace o pífio e o fiasco

Seu Marlboro vermelho denuncia sua idade

Declame mais, sempre mais como um fonasco

Desista da viagem, ainda é cedo, curta um Domecq e rale

marquinho 8

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Categorias: Verso & Prosa | 7 Comentários

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7 opiniões sobre “Poeta convidado: a arte de Marco Dantas

  1. celia gomes de souza

    Amei seus escritos e imagens,está de parabéns! eu aq na torcida pelo sucesso na publicação de um livro! um forte abraço!!!

  2. maria de lourdes

    Que bom, quem sabe, poderá ser o lado ¨B¨, da vida, além de agrdável, parabéns

  3. Marco Dantas

    Obrigado pela força. Bjos

  4. Rosane

    Adorei! Continue até o lançamento do livro, que vale a pena! Muito bom!

  5. Marco Dantas

    Obrigado, Rosane. Abraço!

  6. Pingback: Poeta, novamente, convidado: a arte de Marco Dantas | transversos

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