Moanews: no transverso da notícia

I
Enquanto o STF chuta para 2014 a decisão das perdas na caderneta de poupança decorrentes dos desastrosos planos econômicos de 1980 e 90, rola um manifesto de 13 ex-ministros da Fazenda e 11 ex-presidentes do Banco Central prevendo o apocalipse caso os banqueiros paguem o que devem.
Esses doutores lascaram o povo no poder e agora, na cara dura, defendem o sistema financeiro em nome da “estabilidade econômica”.
Um deles vocifera tal qual o apóstolo João: “…a descapitalização poderia levar à insolvência de instituições de porte, provocando grande turbulência no mercado financeiro, com impacto bastante negativo sobre a estabilidade econômica. (…). A forte redução do capital das instituições limitaria sobremaneira sua capacidade de concessão de crédito”.
Há mais de vinte anos, trabalhadores que pouparam uma merrequinha vêm pastando na justiça o ressarcimento do prejuízo.
Caso vc tenha R$ 1 mil guardadinhos na poupança, com rendimento de 6% ao ano, terá uma bitolinha de R$ 60 pra comprar um regalo natalino. Caso o companheiro pegue um empréstimo de R$ 1 mil no mesmo banco onde tem poupança, no final do ano estará pagando juros de 40% sobre essa dívida, ou seja, uma bitola de R$ 400.
Se o pobre coitado estiver devendo essa mesma grana no cheque especial, com os juros chegando a 200% das presilhas do mal, o tamanho da trolha será de R$ 2000, sem KY e sem piedade.
Os banqueiros compram o dinheiro barato dos poupadores e vendem como se fosse ouro. Essa diferença entre o preço de compra (poupança) e o preço de venda (cheque especial) é o que os vampiros do capitalismo financeiro chamam de spread.
Enquanto as ex-raposas da economia fabricam catástrofes financeiras defendendo o andar de cima, a família Aguiar (Bradesco) e o clã Setubal (Itaú) terão o Papai Noel mais gordo de todos os tempos. O lucro das duas famílias subiu um Everest de 26 bilhões. Essa gente está no STF disposta a não pagar nada aos trabalhadores, pois estão sempre convictos de sua razão. Coitados dos carneiros, quando os lobos querem ter razão.

II
O governo de SP busca sempre respostas militares para questões sociais. Os xerifes paulistas estão formando um efetivo especialmente para as manifestações. A ideia é arrancar o couro da patuleia. A truculência terá 120 homens jovens, com mais de 1,80 m e treinados em artes marciais. Essa poliçada tipo MMA irá nocautear quem estiver na rua cometendo o crime de protestar. Alckmim não estava satisfeito com os cavalos montados em cavalos, cavalos pilotando motos, cavalos com escudos e os equinos da Força Tática. Agora vai partir pro Vale Tudo.

III
Nesta quinta-feira, Fafá de Belém estabacou-se ao cantar o Hino Nacional. Ao menos ela não desafina nem erra o hino. Não merecia essa esparrela. Não tivemos a mesma sorte de ver Luan Santana e Vanusa se estatelarem no chão, balbuciando “Ouviram do Ipiranga…
Sandy, Wanessa Camargo, Ricky Vallen, a dupla sertaneja César Menotti e Fabiano… muita gente anda ganhando dim dim fazendo vergonha alheia.
Se eu fosse o ditador desse país, iria proibir a cantoria do hino em cerimônias e solenidades. Seria apenas a introdução instrumental, com a plateia em posição de sentido, sem mover os lábios. Somente assim acabaríamos com esse vexame.

IV
The Piauí Herald

“O helicóptero do senador Zezé Perrela foi interceptado pela Polícia Federal trafegando com uma carga de 400 toneladas de caxirolas. “O porte legal ou ilegal de caxirolas configura crime hediondo de acordo com o Código Internacional de Bom Senso”, explicou o delegado Marco Malaquias.
No final da tarde, um blogueiro descobriu novas provas que provocaram uma reviravolta no caso. “A palavra helicóptero contém a sigla PT. Isso mostra claramente que o Partido armou essa arapuca para insuflar uma aura cafona em pessoas próximas de Aécio Neves”, escreveu em azul fosforescente”.

V
A OAB já fez moção de repúdio ao Barbosão e agora cobra do CNJ investigação contra as traquinices do capa preta. Não fosse um detalhe…O chefão do CNJ é o próprio Barbosão, numa barafunda de contrassenso administrativo com conflitos de interesses. Os conselheiros são indicados pela cúpula togada, completando a verticalíssima composição. O projeto inicial de um controle externo e social anda de quatro até hoje.

O CNJ é visto pela sociedade como um órgão independente e de controle externo do judiciário. Mais uma empulhação da Toga, de estrutura verticalizada, centralizada e hierarquizada.
Para compor a mesa do Conselho, segue o embuste: os ministros do STF indicam seus apaniguados, o Senado chancela os partidários e o presidente da república nomeia os apadrinhados e as amadrinhadas. A promessa de uma resolução para regulamentar o processo de escolha dos conselheiros virou piada de salão.

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