Transversismos, tranversões, transversuras

Ano chegando ao fim, bate aquele sentimento de congraçamento, confraternização, tal qual assim fosse a vida. Do alto dessa idílica e consentida idealização, dou-me conta da oportuníssima ocasião de discorrer sobre o blogue, exaltando meus grandes parceiros transversos.

Em primeiro lugar, registre-se que esse foi o primeiro ano “pra valer” do nosso blogue. Na real, os transversismos se iniciaram em 25 de outubro (cabalística e avermelhada data) de 2012. Inicialmente, constavam da relação de colunistas eu, Walace e o Moa. Mas, quem levou o blogue a trancos e barrancos nos primórdios foram só eles dois. Só em fevereiro, me juntei de verdade ao blogue, depois que a Aline já havia se aninhado dentre nós. Já como quarteto, adqurimos certa estabilidade e regularidade que, anteriormente não tínhamos. Passaríamos a ter dias certos para cada publicação. Foi assim que começamos a espalhar transversuras na internet em ritmo mais voraz.

transversos 6

Aline, Ana, eu, Moa, Paulo e Walace.

Sempre fomos um espaço aberto a convidados. Aliás, agradecimentos a todos e todas que por aqui passaram em 2013: Rafael Maieiro, Sérgio Baptista, Rogério Marcus, Carlos Alvarenga, Oswaldo Ferrero, Lourdes Campos, Lucas Baldez, Marcus Vinícius Caldeira, Danielle Greco, Dinah Lemos, Marco Dantas, Mariana Santos, Jefferson Andrade.

Nossos dois outros colunistas começaram como colaboradores: Ana Souto, com sua apetecedora Cesta de Ideias aas Sextas e Paulo Fred, na contramão do desgosto, em agosto.

“Oficialmente” nosso blogue não é de esquerda. Inclusive, veicula, volta e meia, posições que vão contra consensos da própria esquerda. Esperamos por publicações que de nós discordem- não que concordemos em tudo; longe disso! Mas não rolou ainda sequer um convidado pra romper nossos “não bem-vindos consensos”. Aliás as temáticas e textos e formatos dos convidados comprovam a pluralidade deste espaço. Vejo- e friso que é minha visão- este blogue como, basicamente, de (des)opinião. Aliás, sequer temos aqui um blogue que só se prenda aa matéria-prima política stricto sensu. Na verdade, cabem aqui temas múltiplos, polissêmicos. O que conta, afinal, é uma visão divergente, um ponto de vista outro, uma formulação que possa locomover-se transversalmente em meio a polêmicas, seja no campo da análise política, da reflexão social, da crítica de arte, da crônica contemporânea, da avaliação conjuntural, do diálogo em desabafo ou no que mais pudermos escrever. Um liquidificador de formas e conteúdos, pra dar forma e estrutura a pensamentos, da voracidade aa delicadeza, em relances de palavras.

[Da voracidade (amistosa)…]

[… aa delicadeza (impaciente)]

Fosse só isso, já seria empolgante. Mas, pra acrescentar aprazíveis ingredientes, boa parte dos colunistas são conhecidos de velha data, da Faculdade de Letras da UFRJ, do Instituto de Letras da UERJ, do movimento estudantil, de violadas e cervejices. Na verdade, só minha já cara e companheira lusófila Ana Souto vim a conhecer recentemente.

transversos- anaAna Souto e seus textos densos disfarçados de acontecimentos prosaicos, reflexões fugazes. Ela conseguiu em tão pouco tempo encantar-nos a todos aqui no blogue. Ana, mais do que sua cesta de ideias, é todo um mundo de indagações por conhecer, vivências atravessadas de travessias tantas- quem sabe quantas travessuras?- que aportaram transversalmente junto a nós. A Ana me soa luminosa: farol que acende humanidades em meio aa brutalidade circundante. Flor em meio aa náusea de nossos esmagadores cotidianos.

[…]

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio,
paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

[…]

A flor e a náusea (trecho), Drummond.

Ano que vem estaremos juntos na torcida por Portugal, o grande seleccionado nacional.

transversos- walaceE o Walace Cestari, velho companheiro de lutas! Meu camarada no PCB (não confundir com PCdoB!), quando ambos éramos desse partido. Nos anos 90, foi peça decisiva aa frente do Diretório Acadêmico Lima Barreto, na letras da UERJ, vulgo DALB. Foi quase sinônimo do Diretório a certa altura. Sujeito criativíssimo, de humor mordaz e certeiro. Um artista do dizer, como bem sabem todos que lhe acompanham os textos. Uma das personalidades positivamente emblemáticas da vida de tantos que o cercam. O Cestari é uma garantia de bom senso pra nosso blogue. Seus textos criam verdadeirismos- uma vez que não há verdades- palpitantes, cativantes, ao mesmo tempo, constrangedores. Além do clube de Laranjeiras, um de seus grandes amores é a Vila Isabel. Até considero meio senso comum e irônica essa lembrança tão senso comum que é ao se falar dele, afinal “consensos não são bem-vindos”. Mas, isso está tanto no seu cerne…

Aliás, quase passo batido, mas os fabfour também!

Aline Silva, nosso perfil de colunistas, de longe, mais visitado. Possivelmente, isso vem da curiosidade sadia de se querer saber quem é a moça que se desnuda em palavras, em textos que vão do confessionismo acolhedor aa crítica objetivamente indignada: uma obliquidade que busca ser perpendicular. Aline é assim: avalanche que goteja! E, por falar em confessionismo, tenho que confessar que, embora a conheça desde os tempos de graduação, tenho descoberto tão saborosamente tanto dela por esse convívio transverso.

transversos- aline

Dize-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.

Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito,
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!

[…]

Florbela Espanca, in A Mensageira das Violetas

Aline, cortante como o roque, pungente como o fado.

transversos- moaNosso grande Moacir de Sousa,,, velho Moa de guerra, conhecido de tantas cervejices, algumas delas inclusive ilembráveis. Moacir rasga o verbo, enxovalha a hipocrisia, entra duro na área. Um franco flanco atirador, lúcido. Inquieto e inquietante. Foi o inaugurador do gênero (foto)reportagem aqui no blogue. Faz a contramídia sem meias palavras. Desedifica antes de tudo. Praticante das boas heresias. É o antiblablabla. Causidica e meigamente caótico. E, posso garantir, ao vivo é surpreendente, inesquecível, opinião que todos os transversos podem confirmar.

Nosso colunista mais recente, Paulo Fred, já mostrou a que veio. Querido companheiro de militância no CA de Letras da UFRJ e no DCE, parceiro de viajantes viagens país afora, com dedão na estrada, cigarros e nada mais. Nos trouxe a sistematicidade de análise de conjuntura internacional num nível que não possuíamos. Torna fluídos temas arenosos. Não bastasse, ainda traz toda uma contribuição crítica variada, de cinema B aas manifestações de rua, numa ótica interna aas mesmas.

transversos- paulo

“Quando se quer bem a uma pessoa a presença dela conforta. Só a presença, não é necessário mais nada.” (Graciliano Ramos)

Assim segue nosso time Transverso em suas travessias transversais pela concretude do mundo virtual, a ser navegado, em terrenos hostis e aprazíveis. Atingimos, neste ano, mais de 40 mil acessos- não é muito ainda, mas é bem gratificante saber que nossos textos tiveram esse nível de repercussão. Temos mantido uma média na casa dos 110 acessos por dia.  Daí por diante… Um blogue crível com gente querida! Convicção com afeição em equação de satisfazeres! Lirismo e ativismo emaranhados exponencialmente!

Sou, sem dúvida, um leitor privilegiado do TRANSVERSOS!

Obrigadíssimo aos demais leitores que insistem em dar sentido(s) a nossos textos e, assim, levá-los adiante!

Discuta! Discorde! Divulgue!

[E nem havia bebido ao escrever este texto, hein?!]

[E terça 31, minha tentativa de retrospectiva do ano…]

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Categorias: Reflexões | Tags: , | 2 Comentários

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2 opiniões sobre “Transversismos, tranversões, transversuras

  1. Prazer em ter participado! Acompanho essa revista com atenção. Bom trabalho em 2014!

  2. Para nós, Dinah!

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