Não vai ter Bolha

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Certo dia, Carlos estava com sua esposa e filhos em casa, quando ouve um barulho na rua. Sai para verificar o que estava acontecendo, nada encontra, mas ao retornar nota que sua porta está marcada com um estranho símbolo.  Verifica a vizinhança e percebe que todas as portas estão com a mesma marca.

Mais tarde, ao retornar do trabalho, Carlos vê o que parece uma massa disforme e monstruosa absorvendo todas as casas da favela onde viveu por mais de 30 anos. Apavorado, ele tenta contar à polícia, mas duvidam dele. Carlos então pede ajuda para alertar a cidade do perigo que estão correndo. Mas somente quando a criatura, agora gigantesca, ataca mais doze cidades, é que as pessoas descobrem a real ameaça que paira sobre todos.

Carlos cria o Comitê Popular contra a Bolha e passa a investigar a origem dos acontecimentos bizarros. Descobre que mais de 170 mil pessoas foram vítimas de remoções forçadas promovidas pela coisa gosmenta.

Ao ouvir histórias de outras vítimas, além das remoções forçadas, ele verifica também indenizações injustas, falta de transparência, desrespeito às leis trabalhistas, elitização do espaço urbano, corrupção e superfaturamento, repressão aos camelôs e à população de rua, maquiagem das favelas, truculência policial, entre outras coisas grotescas.

Prefeitos, governadores e o governo federal, juntos com grandes empresários, não só estavam por trás de todos esses crimes, como eles mesmos foram os criadores da Bolha. A resistência popular continua, ainda que o governo tenha criado leis de segurança, leis de isenção fiscal, leis de restrição territorial, leis de potencial construtivo, lei antiterrorismo, dado apoio ao arbítrio das polícias estaduais e tenha efetivado a federalização da repressão às manifestações.

Para piorar, o Ministério da Defesa editou portaria que regula o uso das Forças Armadas nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) – famigerado termo que especifica situações em que os militares poderão atuar como as polícias nas manifestações contra a Bolha. Essas leis de exceção incluem os “movimentos ou organizações” na lista de “forças oponentes”, ao lado de “organizações criminosas, quadrilhas de traficantes de drogas, contrabandistas de armas e grupos armados”.

Com toda repressão, o povo grita: não vai ter Bolha!

 

 

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