Eu manipulo, tu manipulas, ele manipula

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Pesquisar a origem das palavras é uma diversão e tanto. Eu gosto. Gosto tanto que me acontece, às vezes de, no  preciso instante que a mão busca o despertador para jogar na, ops, desligar, uma palavra me assalte ( sim, Freud deve explicar) e eu  saia da cama serelepe pra ir descobrir a origem dela.

Aconteceu hoje com a palavra manipular. Elementar meu caro, Watson. Não se falou de outra coisa nos últimos dias. Eu gosto imenso destas palavras que ganharam dimensão figurativa sem perder seu significado e emprego concreto. Sendo assim, aceitamos tranquilamente que se possa dizer que manipulamos drogas em farmácias e as consciências na Tv. Agora vejam que curiosa é sua origem, segundo o pai dos burros*  Priberam : manipular, em francês manipuler, tem origem na palavra latina manipularis que era o nome dado ao estandarte carregados pelos soldados rasos dos exércitos romanos . Palavra vizinha a manípulus que designava o bando, a companhia que tinha como chefe um … manipulário! Não é fascinante ?  Só depois de descobrir coisas deste tipo é que vou escovar os dentes. Comentários sobre a minha esquisitice serão sumariamente deletados, aviso.

Eu não sei muito bem como foi que eu escolhi minha profissão mas hoje sei que a turma de profissionais da etimologia perdeu uma grande entusiasta. O resultado é que, sem entender bulhufas das suas artes, só me resta tecer teorias imaginárias ao alcance da minha ignorância de como é que as palavras se transformam. Como é , por exemplo, que uma palavra tão guerreira  e concreta ganhou um sentido tão … abstrato ? Me parece plausível imaginar que tudo começou com alquimia. Imaginemos. Será que aqueles homenzinhos metidos em quartos obscuros, tentando fabricar ouro, não se pareceriam com um bando de soldados  invasores da ordem da natureza?  Dá pra imaginar como eram assustadores ? Em um mundo completamente dominado pela crença em deuses e forças misteriosas muito acima da compreensão humana, gente que pretendia fazer um elixir que permitisse a vida eterna, contrariando o destino que os deuses tinham traçado para o ser humano ! Claro que já ia longe a herança cultural dos gregos, mas será que não estaria preservada entre os falantes do latim, o mito de Prometeu que foi condenado a viver acorrentado eternamente, com uma águia devorando seu fígado durante o dia, regenerado durante a noite, só pela ousadia de ter ensinado as artes do fogo aos homens?  Minha teoria non sense é que disseram então :” ó pá, estes gajos são feito aqueles vândalos romanos que andavam cá nas aldeias, no século passado, a rebentar com tudo !” E provavelmente, os lusos sequer sabiam que estava usando justamente uma corruptela do latim falado pelos … manípulos !  Antes que perguntem : sim, eu perco a compostura quando começo a criar teorias sem fundamento  e perguntas sem sentido. Desta que criei hoje, aliás, derivou esta :  o medo de romper os limites do saber vem sendo transmitido de geração a geração. Será então por obra das muitas lendas criadas para fazer de nós uns medrosos que nos tornamos uns conservadores e às vezes uns reacionários ? Ou os gregos sabiam mesmo das coisas e, como disse, Bernard Shaw, o cavalo já foi um erro ?

Imaginar, fantasiar, é coisa de criança, lunático e tolerada apenas em artistas e profissionais das chamadas áreas criativas, eu sei. E olhe lá: só se a fantasia gerar algum produto que possa ser vendido. Quis dizer, como regra geral. Será então que devíamos era mudar a maneira como lemos e vemos o jornalismo mainstream  brasileiro ?  Será que o fato de haver um mercado tão estreito para escritores de ficção- até porque as grandes redes de livrarias dão o filé do espaço, da divulgação e da promoção  para best sellers internacionais- está obrigando os ficcionistas a migrarem para as redacções jornalísticas ? Vou pensar sobre isso. Aliás,  qual será a origem da palavra jornalismo ?

Ah, a minha imaginação não conhece  limites e às vezes perco o limite do ridículo. Pena que os grandes meios de comunicação no Brasil também.

*Designação popular para dicionário, no século passado.

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