Ligações perigosas (ou O Reischstag é aqui!)

Um mesinho sem escrever por aqui e parece que tanta coisa rolou, hein?!

Claro que é preciso aqui render homenagem aa morte estúpida e altamente desnecessária do jornalista Santiago Andrade, solidarizando-se a sua família. Confesso que todos os relatos que vi foram bastante emocionantes, especialmente, na cobertura da própria Band. Um rubro-negro apaixonado apartado de tudo o que amava e dos que o amavam. Eu, que, recentemente, perdi uma pessoa querida numa morte também muitíssimo desnecessária, fiquei bem sensibilizado mesmo com o ocorrido. Na hora errada, no lugar errado? Mas, como se era esse seu trabalho? Um metro e meio aa frente e sua vida não seria ceifada? Já não importa…

Não é a primeira vez que um jornalista morre na cobertura de rua.  Em 2011, Gelson Domingos, cinegrafista, fora baleado numa operação do Bope. Utilizasse Gelson um colete mais forte, tal qual estivesse Santiago de capacete, ambas as mortes poderiam ser evitadas. As emissoras têm clara responsabilidade na exposição que fazem de seus profissionais, bastante desamparados nessas ações de confronto mais brutal.

Gelson não se tornou conhecido, assim como outros falecidos e feridos letalmente nos protestos. Infelizmente, a tragédia e a dor por de trás da barbaridade da morte de Santiago Andrade estão sendo sordidamente manipuladas para a criação dum mártir que resulte numa espécie de anti-Edson Luís, a serviço do aumento da repressão, do aval ao uso da brutalidade e, por fim, da criminalização do ato de protestar em si, garantindo a tranquilidade plena, ao curso dos estratosféricos lucros prometidos que nada têm a ver com benesses aa população. O que repousa abaixo de todo o discurso virulento da mídia nos últimos tempos nada mais é do que a garantia de terreno fértil aos negócios com que está consorciada, tanto para a Copa do Mundo, quanto para as Olimpíadas, em dois anos mais.

violencia- cortazar

Aliás, parabéns aa polícia pela eficiência em descobrir e apreender os responsáveis pelo falecimento do cinegrafista. Pena que seja uma eficiência tão seletiva.

E o que dizer da surreal- bem ao gosto do espírito que vem tomando conta do Rio em vários aspectos- tentativa de correlação com o deputado Marcelo Freixo? É pra rir! O ápice do antijornalismo investigativo, convenhamos. Aliás, também de trôpega de narrativa, né?

liagação com freixo

Confesso não entender bem a tentativa de ataque ao Freixo. Até onde entendo, a tônica de ação anarquista black bloc justamente exclui a vinculação partidária. Será que essa direita midiática é assim tão ignorante, inclusive historicamente? Como um veículo de comunicação que apoiou a ditadura militar confessamente se sente na autoridade de julgar e condenar desse jeito? Por muito menos, na Venezuela, a RCTV teve sua concessão suspensa e o grupo Clarín, apoiador da ditadura, na Argentina, teve suas atividades restritas. Já aqui no Brasil, a Rede Globo pratica o mais bárbaro e baixo antijornalismo, em defesa ferrenha de seus investimentos e tudo bem. Ah… mas, afinal, a emissora mostrou um beijo gay…

E assim seguem as perigosas ligações com Freixo…

Vivemos agora uma tentativa de Reischstag, aí sim, no lugar e hora errados. Da mesma forma que os nazistas incineraram o parlamento alemão para incriminar os comunistas e obtiveram êxito nisso, tenta-se a imputação duma farsa, no melhor estilo bufônico, para se inverter papeis. Quem luta por direitos e contra a violência passa a ser vítima de discurso incriminatório. E a violência das milícias há de ser vingada, ao que parece…

reichstag

O Reischstag, tal qual o Haiti, é aqui.

Tempos obscuros!

Aqui no blogue, temos vários textos que abordam nas mais diferentes óticas a temática black bloc, desde o gesto encobrir a cabeça com uma camisa ser proteção ao gás lacrimogêneo até os confrontos mais acirrados. De minha parte- e consensos não são bem-vindos- tenho bastante discordância tática com a ação black bloc, como não poderia deixar de se dar na ancestral divergência entre marxistas e anarquistas. Contudo, é preciso reconhecer que eles não são os inimigos. Esse papel cabe a quem está do outro lado, iniciando a violência para garantir os tais lucros. Acho lamentável que parte da esquerda não só não tenha essa clareza, como também faça questão de se pôr sob os holofotes para fazer coro com o discurso neste momento hegemônico e engendrado para a criminalização da própria perspectiva de luta social, mesmo que fora dos moldes black blocs.

Quanto ao novo parlamentar “implicado” com os black blocs, o Renato Cinco, por uma volumosa contribuição de R$ 300,00 aa ceia do OcupaCâmara, só tenho o seguinte a dizer, em meio a toda essa ridicularidade, pô, Cinco, todos esses anos e cê nunca me deu um panetonezinho, hein?!

Ah… quero minha inscrição no Bolsa-Protesto, com um cachê maiorzinho, né?

No horizonte enevoado em que vivemos, parece ter se encerrado o longo movimento de greve das nuvens. Tempo menos quente, para lidar com as nublações da sociedade. Ah, essa vida concreta… E ainda resta a dureza de tantas metáforas.

ligações perigosas

P.S.: como diria Zagallo, “Não vai ter Copa” tem 13 letras!

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Categorias: Mídia, Reflexões, Sociedade | Tags: , , , , , , | 3 Comentários

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3 opiniões sobre “Ligações perigosas (ou O Reischstag é aqui!)

  1. Bia Petri

    Adorei o blog!

  2. Pingback: Imagina em agosto… (Ou Fujam pras colinas, Sininho tá aa solta! Ou será a Dilma?)) | transversos

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