Esqueçam esse tal de Amarildo, vamos enforcar a Sininho

A nova "face da maldade"

A nova “face da maldade”

Infelizmente, o tema é inescapável. Gostaria de não ter que escrever contra (pela enésima vez) a manipulação global (nos dois sentidos do adjetivo). Gostaria de não ter que repisar a cantilena “pelo amor de deus, pelo menos leiam as notas públicas dos Black Blocs, antes de publicar coisas estúpidas”. Gostaria de não ter que falar sobre os “meninos do rojão” nem contra a omissão (global – dois sentidos, de novo) mais do que apenas comparativa entre este último caso e o(s) caso(s) do(s) Amarildo(s). Queria não ter que repetir que a tão falada violência das manifestações é invariavelmente iniciada pelos agentes do Estado (os de uniforme ou os infiltrados). Mas lutar contra Goebbels é assim: chato, repetitivo e cansativo, da mesma maneira como ele pretende nos repetir mil vezes as suas “verdades”.

Os “dois do rojão”

Parece a piada do coelhinho, quando a polícia carioca vence o concurso de polícia mais eficiente do mundo, entregando, em tempo recorde, uma pessoa qualquer que, pesadamente torturada, afirma ser o coelhinho da páscoa. Após mais de uma semana de especulações, nas quais um dos envolvidos até já foi acusado de ser integralista, essa história ainda está a cada dia mais nebulosa. O claro envolvimento de milicianos na “defesa” dos acusados (uma pérola jurídica digna de piada), a tentativa canhestra de se aproveitar do cadáver ainda morno para condenar as manifestações e pessoas que as apoiam publicamente e a rapidez com que o caso se “solucionou” sugerem um “mar de lama” a correr sub-reptício por baixo de cada uma das linhas de declarações de delegados, “adevogados” et al. Mais do que ridículas, pois que prejudiciais às vidas de pessoas, são as campanhas difamatórias promovidas pelas mídias assassinas e reacionárias de plantão. Os “dois do rojão” já foram condenados e já tiveram as chaves das suas celas jogadas fora, mesmo em se tratando evidentemente de duas crianças que não tinham a menor ideia de que os seus atos teriam consequências tão graves. A figura jurídica do dolo eventual, diga-se de passagem, foi criada tendo em vista piorar a situação de pessoas que matam inocentes em decorrência de disputas rachas nas ruas, por exemplo. Nesse sentido, cadê o dolo eventual para o filho do Eike Batista?

E os linchamentos morais não pararam por aí

Em mais uma grande manifestação de irresponsabilidade, acusações completamente infundadas contra políticos e ativistas das mais diversas estirpes foram lançadas pelos jornais. Aproveitando-se do clima emocional que a morte do jornalista instaurou, vários desafetos foram atacados via a vinculação despropositada entre eles e o rojão. Entre os casos mais acintosos, destaca-se o da ativista Sininho, jogada aos leões (também, de novo) na porta da delegacia, onde fora, segundo a própria, apenas saber em que condições (do ponto de vista dos direitos humanos) se encontrava o único detido até então. Depois disso, a menina já foi ameaçada e agredida na rua. Se algo acontecer com ela, quem vai responder por isso? Espero, com esses comentários, atentar para o fato de que, em vista da gravidade do clima de linchamento que se criou, não é apenas a reputação das pessoas que está em questão, mas a sua integridade física.

Cabe uma pergunta neste ponto: por que razão uma única militante causa tanto alvoroço e medo? Não tenho uma resposta pronta para isso, nem análises aprofundadas para apresentar, mas desconfio que muita gente tem medo de que a sua filha siga o exemplo…

Também foram envolvidos nessa história os políticos do PSOL Marcelo Freixo e Renato Cinco, mas de uma maneira tão desastrada e sem pé nem cabeça que só uma vingança mesquinha por parte do advogado das milícias pode explicar (no caso de não haver algo ainda mais nebuloso por trás).

Besteira em cadeia nacional: a gente vê por aqui

Entre as reações mais bizarras (ainda que previsíveis e orquestradas), para criminalizar partidos de esquerda e as manifestações populares, consta a de Monica Waldvogel, a jornalista que tem um ponto na orelha ao invés de um cérebro na cabeça, fazendo contorcionismo em cadeia nacional para provar que a polícia matar em manifestação é diferente de manifestante matar, uma vez que “é isso que se espera dela”. A irresponsabilidade de uma declaração de tal ordem dispensa observações adicionais, mas ainda gostaria de lembrar que isso soou como uma espécie de licença jornalística para a polícia matar manifestante (se é que precisava). Foi também, assim como essa história como um todo, uma metadeclaração de que todas as mortes anteriores, em protestos, provocadas sabidamente pela polícia, não serão investigadas, ou o serão com leniência e sem rigor (tanto pela polícia quanto pelos jornalistas).

Enfim, ainda estamos indo ladeira a baixo. Os dois acusados estão presos, por mais que estas prisões tenham-se dado em meio a situações as mais duvidosas. Os criminosos de sempre aproveitaram-se, da maneira mais torpe, do cadáver para criminalizar, difamar e perseguir opositores políticos, velhos ou novos. Tudo isso, da maneira mais previsível e precisa. Como uma laranja mecânica.

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