2.800 minutos em Bangkok

*Por Andressa Maxnuck

AndressaBangkok1

Em Bangkok, a devoção pelo budismo e pela família real são bastante significativos: há, por todos os lados, templos budistas, casinhas de espírito (espécie de maquete que fica na frente das casas para proteção) e fotos do rei e da rainha. Os moradores locais os reverenciam quando os avistam na rua.

Eu não quis tentar a sorte, mas dizem por aí que qualquer piadinha proferida contra a realeza pode dar prisão e punições mais severas (não só em Bangkok, como em toda a Tailândia).

Nossa imagem austera de monges budistas no Ocidente não corresponde à realidade nas ruas tailandesas: os monges que transitam pelas ruas da cidade mais se assemelham aos franciscanos perambulantes pelo centro do Rio. Algo próximo de um estado de mendicância.

AndressaBangkok2

Todos os malandros-agulha do Rio de Janeiro fizeram PhD em Bangkok: de cada esquina saem espertinhos simpáticos querendo te enrolar de alguma maneira.

Por essa razão, acabei inventando uma nova nacionalidade pra informar à malandragem quando indagada: “sou do Cazaquistão”. Funcionou imediatamente: os sete-uns iam embora sem nem dar tchau.

Fosse eu travesti, certamente migraria pra Bangkok: há uma proporção de cerca de um lady boy, o terceiro sexo, por habitante na Tailândia. Super pra-frentex para uma monarquia. Temos muito de aprender, latinos supostamente abertos à diversidade.

Não sei se por essa característica trava-friendly, os táxis são rosa-choque.

AndressaBangkok3

Faz um calor senegalês em Bangkok. Talvez Bangu não tenha a escrita semelhante à toa.

Fui ludibriada por Leonardo de Caprio em “A Praia”: as praias estão a cerca de 2 horas da cidade. Não senti nem cheiro da maresia.

(aliás, de nenhum tipo de maresia, porque psicotrópicos na Tailândia dão pena de morte)

Massagem e comida tailandesas na Tailândia: amor eterno, amor verdadeiro.

Exercitei como nunca minha ascendência árabe: nos mercados, os vendedores começam oferecendo o produto por 1000 bahts e terminam fechando por 250 bahts, com um sorriso no rosto.

Se algum dia diagnosticarem que tenho registro de malária ou hepatite no meu passado, vou saber exatamente aonde e quando contraí: no Mercado Flutuante Damnoen Saduak.

AndressaBangkok4

Rattanokosin, a área antiga da cidade (onde ficam os templos e vários pontos turísticos), atrai, mais que tudo, turista borderline: rapaziada querendo beber/se drogar como se não houvesse amanhã, casal coroa hippie que veio dar um rolé nos anos 60 e nunca mais voltou pra casa e por aí vai.

Vi quase todos os animais do horóscopo chinês: ratos, cobras, coelhos, sapos, jacarés. A maioria – vivos – nas ruas; alguns poucos, em eventos turísticos.

Sem dúvida, é o lugar mais underground (lato sensu) a que já fui na minha vida.

 

Trailer do filme “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” (Lung Boonmee Raluek Chat), produção tailandesa, do diretor Apichatpong Weerasethakul, vencedora da  Palma de Ouro no Festival de Cannes 2010:

O que acontece todos os dias às 18hs, não importa o que se esteja fazendo, quando toca o hino nacional nos alto-falantes:

 

*Andressa fez sua estreia como convidada há algumas semanas – leia Culpabilização da vítima: um denominador comum – e gostou tanto que voltou. Pra nossa sorte!

 

Anúncios
Categorias: Sociedade | 3 Comentários

Navegação de Posts

3 opiniões sobre “2.800 minutos em Bangkok

  1. Pingback: E la nave va | transversos

  2. Pingback: 100 dias nas Filipinas – Parte I | transversos

  3. Pingback: 100 dias nas Filipinas – Parte II | transversos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: