Não vai ter Copa, mas que a seleção brasileira se lasque…

… de verde e amarelo, literalmente. E sem dó. Não, esse não é um textinho espírito de porco emulado aos brados do “Não vai ter Copa”. Talvez até seja espírito de porco, do contra e tal. Mas essa é a mesma sincera disposição quanto aa seleção brasileira de já quase três décadas, em minha vida. Não há hipótese de eu torcer pela tal seleção. Ou como chamo, costumeiramente, o time da CBF, entidade que conta com meu mais elevado sentimento de menosprezo perpétuo.

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Logicamente, como tenho arcado ao longo de toda a vida, com ápices em períodos de Copa, esse discurso será um tanto, e inevitavelmente, antipático pra muitos que por aqui passarem. Já acostumei e, na verdade, nem esquento ou faço questão de ficar exorbitando isso por aí não. Mas que época e contexto mais propícios, ainda mais tendo um espaço pra socializar isso aqui no blogue. Não resisti.

Então, vamos lá. Em primeiro lugar, só resgatar rapidinho todo um histórico de textos meus aqui. O problema não é o futebol, mas sim as arenas, o Padrão Fifa, as remoções, os procedimentos do poder público e do setor privado, a locupletação deslavada e escancarada. O bom e velho futebol, aquele que constrói mitos, jogos inesquecíveis, memórias eternizáveis, a rigor não precisa de nada disso.  Esse, pra mim, é todo o espírito do “Não vai ter Copa”. Aliás, a Ana Souto, em seu texto da semana passada, conseguiu me convencer cerca de 72% de que essa bandeira realmente, como formulação, não é boa. Dito isso, enquanto o apito inicial não vem, sigamos nossa empreitada em meio a futebol, nacionalismo, ufanismo, paixão…

Hoje, vivo situações muito antissociais em época de Copas. Não consigo ver jogos com quase ninguém. É pra poupar aborrecimentos a mim e aos conviventes. A única exceção é um dileto grupo de amigos que, como eu, não torcem pro Brasil e sim pra outras seleções: Argentina, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha. Com essa rara e literal meia dúzia, até é bem legal de acompanhar as partidas. No meu caso, minha seleção de coração é Portugal.

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Mas, nem sempre foi assim. Houve uma única Copa em que torci pelo Brasil, a de 82, com aquela seleção mítica. Depois, nunca mais. Até hoje, fico arrepiado de ver vts daquele time. Parecia coisa doutro mundo. Se tivesse ganhado aquela Copa, não tenho dúvida que a história do futebol mundial seria bastante diferente.

[Esse vídeo é verdadeiramente emocionante, pra quem viu a seleção de 82]

selecaoargentina2Depois dessa Copa, minha antipatia pela seleção brasileira foi se moldando crescentemente. Em 1986, fiquei meio que indiferente. Em 1990, já torci claramente contra. E cada vez mais. Aí, veio na sequência a simpatia pela Argentina, futebol bravio e torcida belamente aguerrida, sempre uma boa opção de torcida. Depois, a França, claro. Allons enfants de la patrie. Só a Holanda que não. A cadela ruiva, adversária clássica de Portugal, não! Brasil x Holanda, portanto, é um jogo dos infernos de se assistir, pra mim.

Dois elementos que contribuíram decisivamente pra essa, inicialmente, antitorcida foram: a compulsoriedade e obrigatoriedade da torcida e o nacionalismo-ufanista exacerbado e bissexto. Nunca entendi e até hoje não entendo a relação entre já que sou brasileiro devo obrigatoriamente torcer pelo Brasil. Acho que a categoria “nação” me perpassa de modo diferente. Vejo-a como mera casualidade que, claro, influencia, decisivamente, quem sou, mas, ainda assim, é casual, ora. E esse nacionalismo travestido de desvario de 4 em 4 anos é insuportável, uma espécie de sentimento recalcado que deságua na torcida pela seleção brasileira, inclusive, duma pá de gente que nem se importa ou se relaciona com futebol. Parece mais um utilitarismo da modinha. Insuportável!

No mais, nesse papo todo de nação, a única que reconheço como minha é bem outra.

nação maiorEntre 94 e 98, já embevecido de lusofonia, apaixonei-me por Portugal, primeiro como país e cultura. Daí aa seleção, nessas eurocopas da vida, foi quase que por inércia.

Se conseguir participar de algum bolão, afinal, até eles andam sumidos, marco Argentina, como análise futebolística e Portugal, como torcida.

AA medida que mais fui me envolvendo com Portugal, decisivamente ratificado pela geração Figo-Deco, o sentimento de torcer contra o Brasil já não era da mesma qualidade. A não ser, claro, na rivalidade futebolística sadia e tão característica.

Notem que, dentre meus motivos, não tem aquele papinho blasé simplista de alienação do povo e tal, blablabla.

É isso. Não haverá Copa (em bom português lusitano), mas que vença Portugal!

Agora é torcer…

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Larissa Riquelme, símbolo de torcida espontânea e contagiante.

E, claro, ululantemente, também e sobretudo fora das partidas…

joga limpo, Brasil

Campanha da Anistia Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

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