Um dia comum do futuro

ImagemNa Central de Notícias Locais, esta manhã, debate muito interessante sobre a destinação dos prédios de antigos hospitais – que têm sido desativados visto que quase não há mais necessidade de procedimentos cirúrgicos invasivos. Os especialistas presentes no debate apontaram que, como o pretendido no início da década, o projeto SUS de medicina preventiva alcançou 100% da população e, com todos os cidadãos atendidos pelos Médicos da Família, cresce o engajamento na política de saúde preventiva. A jornada semanal dos médicos continua alta – na média cumprem pelo menos 25 horas semanais mas acredita-se que passarão, em breve, ao regime de 18 horas como a maior parte das categorias profissionais. Comentando o decréscimo persistente dos casos de câncer os debatedores apontaram, unânimes, o fim do uso de organoclorados nos cultivos, o baixíssimo consumo de proteína animal ( estimado atualmente em 1kg/pessoa/ano) e o fim de qualquer atividade comercial na área de saúde, como fatores importantíssimos para este sucesso das metas. Desde que todos os esforços de pesquisa passaram a ser dirigidos à prevenção primária, os avanços terapêuticos vêm perdendo terreno para as descobertas sobre prevenção, embora as terapias genéticas e baseadas nos conhecimentos tradicionais também tenham contribuído enormemente para os exitosos resultados que alcançamos. Mais uma vez, ouvi falar sobre a quantidade de trabalho, vidas humanas, materiais e esforços desperdiçados em guerras globais e locais no último século e me perguntei como é que os antigos puderam ser tão estúpidos e tão docilmente submissos a um ordenamento global perverso e sem sentido.

Há muitas propostas de uso para os prédios vazios mas tendo a simpatizar com a ideia de que devem ser transformados mesmo em hospedarias. O fato de termos nos transformado num polo de encontro global para trocas imateriais justifica melhorarmos cada vez mais a infra estrutura de recepção da cidade. Desde o ano retrasado, aliás, com o fim do uso de combustíveis fósseis e completada a malha de transportes ultra rápidos, se vem notando um incremento da modalidade de turismo de longa permanência. A análise da Central de Trocas de Cidade mostra quase não há mais viajantes de “ uma semana” sendo a permanência media estimada em um mês. Com esta nova tendência aumentaram também as queixas dos que esperam há mais de dois anos visitar áreas de conservação ambiental indígenas. Quanto a isto não há muito que se possa fazer , exceto aguardar que a natureza siga seu curso e as amplas áreas de recomposição ambiental estejam prontas e assim se possa ampliar a oferta, não apenas de hospedagem mas também de imigração para estes locais.

Recentemente um pesquisador de Universidades da área de Demografia propôs que os interessados em residir nestas novas reservas de preservação se voluntariassem para jornadas de trabalho mais extensas nos Serviços Desagradáveis. Há, por exemplo, muitas áreas à espera de descontaminação e, destacou, talvez nem todo mundo esteja informado sobre o fato de que boa parte do trabalho não pode ser realizado por robôs. Alegou o especialista que a tecnologia de reconversão de materiais, ou seja a Política de Resíduo Zero, apesar de ter alcançado todo o globo não foi possível dar conta, ainda, de recolher toda a massa de materiais disponíveis – resultado do descarte irresponsável promovido por nossos antepassados. Estas tarefas, bem como a de cuidados com os ostracizados nas ilhas do Pacífico por conduta antissocial, são as que têm recebido menor número de voluntários, embora se observe que uma nova geração de estudantes esteja cada vez mais engajada no movimento de Utilidade Pública Global.

E aqui termino minha breve crônica, pedindo desculpas por ela não ser mais que um registro de observações banais, sem muita coesão ou coerência. Compromisso é compromisso e, apesar de andar com a cabeça nas nuvens, não poderia falhar minha tarefa semanal. Cumprido este meu compromisso fraterno e esperando ter contribuído na medida da minha pequena capacidade com algum sonho para as suas jornadas, me despeço. Vou passar a tarde no parque ensinando comunicação não- agressiva para crianças, como prometido à Associação Cidadã para Promoção de Prazeres da minha rua. Compromisso é compromisso.

 

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