50 horas em Hong Kong

*Por Andressa Maxnuck

 

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Hong Kong é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China que foi colônia britânica até cerca de 15 anos atrás. Isso era tudo o que eu tinha de informação do lugar até decidir conhecê-lo. E foi suficiente para ensejar dois equívocos cruciais, descobertos assim que aterrissei: 1) em Hong Kong não se fala mandarim – ensaiei à exaustão a pronúncia de Ni Hao (“olá”, em mandarim), querendo parecer simpática, para depois descobrir que deveria ter dito “Ha Lo” (“olá”, em cantonês), caso tivesse querido ser compreendida. Foi como saudar um espanhol em catalão; 2) em Hong Kong não se fala inglês – esqueça que HK esteve sob influência inglesa até 1997: é tão difícil achar alguém pra te dar informações na língua inglesa quanto encontrar uma agulha no palheiro.

Trata-se de um exemplo impressionante de urbis moderna e populosa. Conhecida como a “cidade global da Ásia”, abriga uma infinidade de arranha-céus, de letreiros luminosos, múltiplos serviços, diversidade étnica. Esqueça Nova York como referência de pós-modernidade, babe. E pra prover morada pra essa gente toda, teve-se de construir muitos, mas muitos edifícios, com centenas de apartamentos cada um – em um dado momento tentei fazer uma conta rápida pra descobrir quantas pessoas moravam em um balança-mas-não-cai que avistei e penso que passava das 3.000 pessoas.

 

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Ao mesmo tempo, há muita beleza natural e amplitude. HK consiste de 18 distritos administrativos, espraiados por 3 ilhas principais: Ilha de Hong Kong, Kowloon e Novos Territórios. Em Lantau, uma das ilhas, por exemplo, está o Tian Tan Buddha, a maior estátua de Buda sentado ao ar livre da Ásia, simbolizando justamente a relação harmoniosa entre o homem e a natureza – o que faz muito sentido, considerando que a estátua fica no topo de uma montanha e que o teleférico que leva os visitantes até lá passa pelo meio do mar e da relva.

 

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No mesmo lugar fica o Po Lin Monastery, o maior templo budista de Hong Kong. HK, aliás, é o principal centro de budismo da China: há cerca de 360 templos budistas nessa região administrativa, o mesmo número de igrejas que há em Salvador. Ou seja, foi quase como passar o fim de semana na Bahia.

 

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A contumaz orientação budista não significa, contudo, que se trate de um povo dócil e comedido (a propósito, na qualidade de budista, estou careca de dizer que budismo não é sinônimo de passividade): os honcongueses e-m-p-u-r-r-a-m quando vc está no caminho deles, não importando se é um rapaz de seus 20 ou uma senhora de seus 90 anos (esse último exemplo não é fortuito – eu realmente presenciei essa situação). Além disso, os honcongueses (em geral, os mais idosos) gritam em ambientes públicos qual a molecada soltando pipa no subúrbio carioca.

Na linha budista-não-é-passivo, no sábado à noite fui para Lan Kwai Fong, região de bares e boates, me jogar na night life da ilha. Tudo ótimo: boas cervejas, gente animada, música legal. Aí você fica feliz que está em um lugar exótico, passeando, o mundo ficando odara e bebe pra cacete. E depois, na hora de voltar pra casa, se dá conta de que está, nada mais, nada menos, do que na China. Agora tente chegar no seu hotel lendo os letreiros das ruas em cantonês, darling: 40 minutos dando voltas no quarteirão.

Ah: lembre-se também, nesse momento, que em Hong Kong usa-se a mão inglesa no trânsito e tente não ser atropelada durante esse ínterim.

Comer na ilha tampouco é das coisas mais simples do mundo. Como disse acima, letreiros e afins costumam estar redigidos em cantonês e as habilidades da população com a língua inglesa são limitadas. E claro, como eu gosto de tudo sempre mais difícil, quis comer em um restaurante underground, que nenhum turista jamais visitou. Tive até sorte, porque o cardápio tinha fotos das iguarias. Óbvio que não temi pelo uso do hashi, porque eu sou descolada e sei usar os talheres orientais há anos: isto é, isso até chegar o meu momento de desossar um ganso com palitinho.

Não, não vi gente comendo cachorro. Em compensação, vi todos os tipos de animais expostos no açougue – cabeça de porco, ganso, arraia, entre outros.

Um passeio que me recomendaram muito foi o Symphony of Lights, o maior espetáculo permanente de som e luz do mundo: todos os dias, às 20hs, há uma coreografia de música e luz projetada sobre os edifícios que ficam ao longo da orla de Tsim Sha Tsui. Pra falar a verdade, constatei que a virada do ano em Copacabana bota esse showzinho no chinelo. Assim que, passados alguns minutos de projeção, fui dar uma volta pela Avenue of the Stars, um tributo ao cinema feito em Hong Kong. Tietei a estátua do Bruce Lee e botei minha mãozinha sobre o espaço na calçada reservado ao Jackie Chan, claro.

 

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Por último, uma dica para os futuros visitantes da Ásia: privacidade é um conceito ocidental. Lembre-se sempre disso quando for usar o banheiro.

Amor à Flor da Pele (Fa Yeung Nin Wa ou花樣年華), obra-prima de Wong Kar-Wai, diretor pertencente ao movimento chamado de “Segunda Nova Onda” do cinema de Hong Kong e ganhador do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes, de 1997.

http://www.youtube.com/watch?v=Z51LB7ls6q8

 

 

 

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Categorias: Sociedade | 4 Comentários

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4 opiniões sobre “50 horas em Hong Kong

  1. Pingback: 100 dias nas Filipinas – Parte I | transversos

  2. Pingback: 100 dias nas Filipinas – Parte II | transversos

  3. Mariana

    Adorei o post, recomendação de uma amiga. Estou indo na semana que vem e esta foi uma bela introdução. Obrigada 😉

    • Andressa Maxnuck

      Que ótimo, Mariana!
      Pretendo voltar pra mais uma semana e fazer uma nova postagem, hehehe!
      Boa viagem!

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