Uma das vias escorregadias da militância feminista

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Você já percebeu quantas frentes de militância integra sem se dar conta? Não tem a ver com filiação, nem sindicalização, muito menos partidarismo, mas, certamente, tem e muito a ver com política no sentido menos estrito do termo, embora não se possa supor ingenuamente a inexistência de linhas ideológicas bem demarcadas a cada defesa de ponto de vista.

Múltiplas são as formas de militar por uma causa, sendo a atitude e a motivação norteados pela defesa do que se julga o justo, o bom e o adequado para o melhor funcionamento das engrenagens desse vasto mundo cão, certamente no afã de torná-lo menos rapino.

O que me chama a atenção nessa constelação de possibilidades é certa falta de coerência que muitas vezes parece acompanhar escolhas aparentemente contraditórias. Não estou falando da pizza com guaraná diet, mas do discurso ambíguo que prega o desmerecimento sistemático do outro ao mesmo tempo em que reivindica para si respeito e legitimidade. Estou falando do discurso que denuncia a mercantilização da figura feminina, mas associa a manifestação do grito das oprimidas à liberação visual dos mamilos. E nesse bojo, ainda tenho questões ainda não resolvidas sobre a prostituição, assunto sobre o qual espero me debruçar com mais critério para elaboração textual futura .

Li recentemente em página feminista a pregação do ódio ao macho, o falo opressor hegemônico, responsável por todos os tipos de atrocidades já cometidas e ainda por se cometer na face da Terra. Preciso dizer que sou contra a dominação machista, com estrutura de repetição ancestral entre homens, mulheres e demais gêneros, mas nada tenho em especial contra os homens. Embora sejam parte do terreno sufocante que trilhamos na conquista sempre árdua de direitos, não podem ser responsabilizados  individual e coletivamente por todo o tipo de violência de gênero.

Não há absolvição na lógica que pretendo desenvolver, mas sim o combate à culpabilização prévia. Somos todos parte de um tecido engelhado de rupturas e muito ainda precisa ser discutido sobre as transformações necessárias para a promoção da igualdade.

Um dos caminhos talvez seja analisar de que forma todos contribuímos para reforçar os nós que prendem as minorias a um espaço de confinamento ideológico, restringindo-lhes a fala, a atitude, a expressão do pensamento ao mesmo tempo em que se ensaia uma liberação momentânea e transgressora, praticamente uma catarse, restrita a marchas (não nego a importância delas, ok?) . Papo para outra semana.

feminista1

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Categorias: Sociedade | 3 Comentários

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3 opiniões sobre “Uma das vias escorregadias da militância feminista

  1. Perfeito!”Somos todos parte de um tecido engelhado de rupturas e muito ainda precisa ser discutido sobre as transformações necessárias para a promoção da igualdade.”

  2. Andressa Maxnuck

    Excelente reflexão, Aline! Bom insumo pra “feminar”! =)

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