#Vem pra urna

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Depois de inúmeras manifestações populares, cobranças, mobilizações, eis que, novamente, tudo parece resumir-se ao ato “cívico” de apertar números em suspeitos aparelhos que trarão os resultados de uma representatividade patética, da qual passaremos os próximos anos reclamando. As ruas vazias são o retrato de que algo mais se perdeu, além do respeito à dignidade humana promovido pelas forças repressivas.

Hoje, vale o que se vota. Ou em quem se vota. Por natureza e princípio, não sou adepto da democracia representativa, ainda mais desta farsa burlesca que é promovida no Brasil sob a égide do “regime democrático”. Amarguras e ranzinzices à parte, partamos a falar dos votos, assunto pelo qual, talvez se consiga ampliar o debate político.

Respeito votos ideológicos. Os nulos que não acreditam no processo ou enxergam que não há representação de sua ideologia. Ou mesmo os que veem no voto nulo a expressão de sua ideologia, como é o caso de alguns movimentos anarquistas e outros grupos que defendem autogestão.

Respeito liberais que declaram seu voto no PSDB, acreditando que a redução do Estado e a mão invisível do mercado serão soluções para quaisquer crises. Entendo, inclusive, a opção pelos tucanos quando vinda de setores abastados, financistas e outros. Seria um voto de defesa da classe. Discordo frontalmente da opção e da formulação ideológica, mas considero honesta a manifestação.

Respeito alguns votos na Dilma. Os ideológicos puros, que são orgânicos no PT e ajudaram a construir o modelo de poder que vem sendo exercido. É lícito que reivindiquem a continuação e votem pela reeleição. Entendo muitos sociais democratas que se bandeiam para o PT. O partido, totalmente afastado de qualquer ideal de esquerda, tomou o papel que pertenceu ao PSDB em sua fundação e transformou-se na social democracia com viés capitalista-desenvolvimentista. Uma espécie de modelo europeu de concessões e redução de danos do capital, preservando ideologicamente os ganhos da direita. Ou seja, um centrão com ações de direita e pequenas concessões de discurso à esquerda.

Entendo, mas não respeito da mesma forma, os votos em Dilma que se justificam pelo “mal menor”, ou que se agarram a “conquistas” que não podem ser perdidas, ou ainda pelo medo da volta de uma direita virulenta. Votar pelo medo de que percamos o PT é algo totalmente desastroso. É assinar embaixo dos erros que não ajudamos a cometer. É ficar ao lado na doença sabendo que a saúde será aproveitada longe de nós.

O PT que se vire com as consequências de seus atos. Esse temor da sociedade é responsabilidade do próprio PT, que em seu discurso vende promessas com as quais não está comprometido. A reação é lógica do próprio comportamento do PT, de suas ações e irresponsabilidades. De seu comprometimento com o lucro dos banqueiros e de outros setores, crendo que isso lhe daria a estabilidade e apoio para continuação de um projeto de poder.

Diante disso, apiedo-me dos votos ignorantes. Aqueles que vão às urnas para votar contra o PT porque ele representa uma ameaça de um “golpe socialista”, uma ditadura “petralha” e outras teorias que somente fazem sentidos em visões distorcidas e deturpadas de figuras caricaturais como Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino ou Reinaldo Azevedo. A mídia virou um picadeiro triste, cemitério de ideólogos.

Os que votam contra o PT porque estão cansados da corrupção. E enxergam, no horizonte da falta de memória, pureza em quem só está à espreita, aguardando o momento de ter novamente para si a possibilidade de loucpletar-se por meio do erário.

Ou ainda aqueles que vão às urnas para votar no PT porque receberam algum benefício do Estado. Talvez, esses sejam menos problemático, pois aí não há a proclamação de uma ideologia subjacente, mas o reconhecimento de algo que chegou até aquele conjunto de indivíduos. No fundo, é o mesmo funcionamento do populismo, é que forneceu a Vargas a alcunha de Pai dos Pobres, entre outros. Mas, compreende-se dado o nível de desenvolvimento político, social e econômico da população brasileira em geral.

Por tudo isso, não respeito o voto na Marina. Como disse antes, respeito votos ideológicos e não há como votar ideologicamente em que não possui ideologia. A candidatura de Marina é um arremedo eleitoral, um verdadeiro estelionato. A representação de uma “nova política” é ridícula, vindo de alguém que buscou a construção de um novo partido, criticou todos existentes e, na impossibilidade de ter seu próprio “grêmio recreativo”, aceitou concorrer de aluguel por uma daquelas legendas que não prestava.

O PSB deveria envergonhar-se de ter “socialismo” em seu nome, é uma espécie de propaganda enganosa contra o eleitor. Em um arremedo de programa que não corresponde às ideias do partido, nem às ideias da candidata, um rol de plágios e apropriações, um verdadeiro vale-tudo apenas para conquistar o voto daqueles que querem votar contra o PT. Uma alternativa “corrida de cavalos”, para apostadores, não para quem tenha efetivamente uma ideia sobre qual caminho seguir.

A esquerda institucional vai de Luciana Genro. O PSOL representa a verdadeira social-democracia, propondo uma guinada à esquerda sem rompimento com o sistema. Taxar grandes fortunas, democratizar decisões, aumentar a participação popular são algumas das boas propostas. Isso, contudo, vem acompanhado da convicção de que é possível administrar o capital com conquistas sociais e promover uma mudança “por dentro”do sistema. Aí perde a chance de ganhar dez.

Respeito os companheiros do PSOL, mas isso não é possível. A burguesia francesa não chegou ao poder participando da Assembleia dos Estados Gerais. Essa visão institucional do partido faz com que o “vem pra rua”, soe como “vem pra urna”.  Não adianta seguir confiante e a passos largos no caminho errado, pois não chegaremos ao lugar em que deveríamos chegar.

Os partidos de luta fazem parte da eleição para denunciar seu jogo e propagandear sua própria existência. Em um sistema que lhes oferta migalhas de tempo, não se pode esperar muito. Nem creio que seja objetivo do PSTU ou do PCB um grande número de votos. Mas um grande número de ouvidos, para que se transformem em vozes. E que, assim, as urnas sejam colocadas em seu devido lugar. Pois as mudanças vêm das ruas. E é lá onde devemos estar.

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