Eleições: a ressaca que dura quatro anos

ressaca

Não votarei nestas eleições. Porém, coloco esses dados na mesa pois nada me irrita mais do que a histeria de direita e o conservadorismo golpista/udenista em que a maioria da classe média embarcou, capitaneada por publicações “sérias” como a “inVeja é uma merda” e “O Globbels”. Que o Brasil melhorou MUITO com o governo do PT é inquestionável. Trata-se de um daqueles dados da realidade que só podem ser negados à custa de muita desonestidade. Porém, não voto porque não consigo desvincular os ganhos sociais do PT dos seus problemas mais graves. Como já repeti 250 vezes por aqui, os pontos mais nefandos do governo do PT, aqueles que “a gente não vê por aqui”, se repetirão sem a menor dúvida em um governo Aécio, assim como se repetiriam em um suposto e graças a Tutancâmon agora impossível governo Marina. A saber, para quem chegou por aqui hoje e nunca leu nada que eu escrevi, refiro-me ao modelo econômico baseado em endividamento público e na subordinação ao capital financeiro internacional (o famoso capital volátil); ao modelo de crescimento baseado na expansão do agronegócio predatório; e, mais recentemente, ao renascimento da repressão aos movimentos sociais autônomos em moldes semiditatoriais (com pesadas infiltrações nos grupos, difamação, prisões ridículas e baseadas em farsas jurídicas, endurecimento de leis estilo “cala a boca” etc.). Na própria lista a seguir, o ponto 8, particularmente, não é nada que deveria ser comemorado, levando-se em conta que a expansão da lavoura deu-se seguindo a lógica primário-exportadora, que está pondo a Amazônia e o Cerrado a baixo (e todos os demais biomas, na verdade), que parou a demarcação de terras indígenas, que mantém elevadíssimos os índices de mortes no campo e que parece pronto a repetir cagadas ambientais históricas, como a usina de Balbina, sem o menor constrangimento e sem dar a mínima para os prejuízos presentes e futuros evidentes disso tudo. Seja como for, um governo Aécio Never/PSDB também se sustentaria nesse tripé, afinal, foram eles que o inventaram (ou alguém acredita que com Aécio os índios serão tratados dignamente, a soja será abandonada e haverá auditoria da dívida pública?). Só que, com Aécio, isso tudo virá acompanhado de austeridade fiscal, para ficar ainda pior. Enfim, bom segundo turno para todos, e aos trancos e barrancos, entre a cruz e a caldeirinha, vamos que vamos.

O levantamento a seguir, feito por Hans Mulder, fala por si e vem com fontes, coisa rara de se ver na internet:

Ah, e eu quase ia esquecendo: para os bobalhões que acreditam que o PT é o partido mais corrupto do mundo, que ele inventou a corrupção e a civilização da forma como as conhecemos, e que uma vez abatido o monstro voaremos todos em nuvens de honestidade e wi-fi grátis quando o PSDB e o Aécio Neves retomarem o poder, tentem lembrar de (esta ótima síntese foi surrupiada da Eloisa Samy Santiago):

a – 1994 e 1998. O dinheiro secreto das campanhas: denúncias que não puderam ser apuradas graças a providenciais operações abafa apontaram que tanto em 1994 como em 1998 as campanhas de Fernando Henrique Cardoso foram abastecidas por um caudaloso esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.

b – 1995. Extinção da Comissão Especial de Investigação. Assim que assumiu a presidência da república, em 1995, Fernando Henrique Cardoso baixou um decreto extinguindo a chamada Comissão Especial de Investigação, instituída pelo antecessor, presidente Itamar Franco, que, composta por representantes da sociedade civil, tinha o objetivo de combater a corrupção. Seis anos mais tarde, em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, o presidente Cardoso conseguiu desviar a atenção da sociedade criando uma tal de Controladoria-Geral da União, que se notabilizou por abafar as denúncias que motivaram sua criação.

c – O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra.

d – A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

e – O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.

f – Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

g – A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.

h – 1998. O escândalo da privatização (1): A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. O ex-caixa de campanha de Fernando Henrique Cardoso e de José Serra, um tal Ricardo Sérgio de Oliveira, que depois foi agraciado com a diretoria da Área Internacional do Banco do Brasil, não conseguiu se defender das acusações de pedir propinas para beneficiar grupos interessados no programa de privatização. O mala-preta de Cardoso teria pedido R$ 15 milhões a Benjamin Steinbruch para conseguir o apoio financeiro de fundos de pensão para a formação de um consórcio para arrematar a cia. Vale do Rio Doce e R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

i – 1999. O caso Marka/FonteCindam: Durante a desvalorização do real, em janeiro de 1999, os bancos Marka e FonteCindam foram graciosamente socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão, sob o pretexto de que sua quebra criaria um “risco sistêmico” para a economia. Enquanto isso, faltava dinheiro para saúde, educação, desenvolvimento científico e tecnológico.

Para colocar a cereja no bolo, não vamos nos esquecer dos escândalos recentes envolvendo o Sr. Aécio Jamais: a construção de seis aeroportos com dinheiro público em terras mineiras, que só beneficiaram a família Never e associados (o mais notório dos seis, o de Cláudio, ficava nas terras do tio do “honesto cidadão”). O helicóptero da cocaína: meia tonelada da droga foi encontrada em um helicóptero do deputado Gustavo Parella, amigo aliado e irmão camarada do Aécio. O inquérito, pasmem, foi arquivado. A cocaína, com o perdão do trocadilho, caiu do céu. Não era de ninguém. Qualquer pessoa que não tenha, como Édipo, arrancado os próprios olhos, não pela vergonha do incesto, mas para continuar sendo um leitor da “inVeja é uma merda”, sabe que Aécio, além de um usuário contumaz, é um determinado empresário do setor. O que eu não consigo entender é alguém ainda votar nessa pessoa. Afe!

A montanha de cocaína apreendida no "helipóptero" do Aécio - ou, para alguns, o helicóptero da alegria.  Nem um entusiasta da substância como Aécio consumiria isso tudo sozinho

A montanha de cocaína apreendida no “helipóptero” do Aécio – ou, para alguns, o helicóptero da alegria. Nem um entusiasta da substância como Aécio consumiria isso tudo sozinho

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