Dilma não merece meu voto!

aecio comuna

Malditos comunistas! Sempre em toda parte, pervertendo o que é de bem. No cardápio, crianças ao tutu.

Não mesmo! Não é um título sequer milimetricamente irônico. Nem um pouquinho! Nem pela simpatia/carisma que, aliás, Dilma tem quase nenhuma. Agora, se Dilma não merece, Aécio sequer é cogitável para isso. É fora de parâmetro, aberrante, esdrúxulo considerar ao menos esta candidatura em termos de merecimentos. Aécio não existe! É de direita e da direita, opção zero das elites. Carrega consigo todo o soerguimento de estrume bestializado e bestificante que vem trazendo aa cena sociopolítica brasileira todo um horror desmedido de impropérios e expectativas escarrados por mentes entorpecidas em desvarios alucinadíssimos de conservadorismo enojante. Aécio não é uma hipótese ou possibilidade. É apenas a encarnação mais deslavada e nua e crua do antagonismo de classe inconciliável. Não tenho o que discutir com quem se dispõe a votar nele; salvo, se um jovem desavisado que não tenha vivido os anos de truculências e esfacelamentos tucanos  se disponha, abertamente, a isso. Escrevo, claramente, a quem julga ser possível se abster dum posicionamento, agora, pela candidatura Dilma.

Faço isso muito aa vontade. Estamos longe de sermos um blogue chapa branca. Aqui, criticamos frequentemente este governo. Hoje, contudo, o blogue, felizmente, dentre seus colunistas, oscila da faixa de voto crítico em Dilma a voto nulo. Tenho orgulho de fazer parte deste nível de discussão com Aline Silva, Ana Souto, Andrea B. de Oliveira, Moacir de Sousa, Paulo Fred e Walace Cestari.

Muito recentemente, um amigo e companheiro de lutas e de protestos e de mobilizações, muito querido para além dos atos, o Thiago Braga Vieira, publicou algo muito lúcido e sagaz que copio abaixo:

“Acerca do segundo turno.
Queremos ser a nova grade ou queremos avançar a linha de fronteira?
O PT tornou-se a fronteira entre a esquerda e a direita.
Por nossa posição à esquerda, olhamos o PT e vemos a direita por trás dele.
A burguesia, por seu lado, quando olha pro PT nos vê.
Dessa forma o PT se tornou um limite para o avanço da esquerda,
Mas também uma contenção ao avanço da direita.
O primeiro turno mostrou o que acontece quando a cerca fica enfraquecida:
Crescemos nós, mas a ultradireita cresceu mais.
Não estamos disputando o segundo turno, estamos disputando a sociedade.
Não temos chances de romper a grade agora, mas a direita tem.
Precisamos reforçar a cerca.

Com todos os riscos históricos implicados acerca de cercas, é um texto que, em simplicidade, diz tanto. Dilma e o PT não merecem nem um tiquinho de voto meu nem de muitos. Nem mesmo o PT em campanha, muito aa esquerda do próprio PT no governo, mereceria. Dilma não consegue se diferenciar ideologicamente de Aécio num debate. E o pior, nem o pode. Não há diferença ideológica profunda, do ponto de vista de gestão. É um capitalismo mais piedoso com os pobres miseráveis contra o capitalismo selvagem descarado: duas versões de neoliberalismo brasileiro disputando corações e mentes do sistema financeiro. O aclamado bolsa-família, agora, pasmem, reivindicado por tucanalhas dissimuladamente, é uma parcela ínfima dos socorros a bancos. O lucro do Itaú é recorde após recorde. Atenção! Eu disse LUCRO! Trabalhador nem vive de lucro, mas de rendimento. Mesmo do ponto de vista do capital, o PT nem reformista vem sendo, mas sim aperfeiçoador do capitalismo brasileiro, ao melhorar as condições de consumo da sociedade, ao mesmo tempo que permite condições pra maior estratificação econômica no país: mais milionários, mais ricos e todas essas lamentabilidades. Dilma, hoje, não é nada além do que o governo menos fdp! Nada além disso.

E a tal corrupção… Ora, ela é intrínseca e constitutiva a QUALQUER governo que se disponha a administrar o capital. É  um valor ideologicamente imperativo. O que possibilita a existência da própria noção de lucro, de estratos sociais tão distintos e da legislação que sustenta tudo isso é a corrupção.  Da Suécia ao Zimbábue, a corrupção é o determinante no mundo capitalista. Neste quesito, ambas as candidaturas não se diferenciam, a não ser na discussão sobre quantidade de corrupção- se é que isso seja relevante- em que o PSDB é muitíssimo mais “profissa”, em todos os sentidos,  em seus esquemas. No mais, vale o que escrevi neste mesmo blogue há mais de ano atrás: Quem tem Deus não precisa de corrupção.

Quanto aa campanha em si, não aguento mais tanta detonação em rede social. Os debates seguem no mesmo patamar: só fritura. Se o nível do debate no 1º turno já era ruim, agora está subterrâneo. De debate a embate em arena aberta.

dilma x aecioE o que é problema mesmo, nisso tudo, é que o grosso disso é no viés moral, enquanto o debate político de fundo fica devidamente afundado, escanteado. Talvez, até porque não haja, afinal, tanto o que se debater em termos de diferenças.

Nesta semana, houve dois grandes debates, o da Band e o do SBT. Em ambos, foi visível o talento oratório do Aécio, um político no sentido popular do termo. Já Dilma, embora não tenha nada de boba, é claramente uma gestora fazendo as vezes de uma política, o que combina com a pauta de eficiência de gestão.

Me chamou muito a atenção no debate da Band a pergunta do playboy das Geraes sobre meritocracia, quando  a presidentalíssima poderia ter puxado pro ideológico- aliás todo o conteúdo ideológico do debate fora pautado pelo Aécio, aa direita, claro, e coube aa Dilma só o acompanhar- e se limitou a contestar seu adversário quanto da aplicação inverídica do critério da meritocracia, sem nem sequer contestar-lhe o fundamento. Embora tal postura não me surpreenda, me deixa passado.

meritocracia Eu entendo, pra caramba, quem pretende votar nulo. E, reafirmo, Dilma não merece nossos votos. Contudo, como não se trata da tal meritocracia, mas de envolvimento e responsabilidade com questões, cotidianas, que dizem respeito ao bem-estar mínimo do trabalhador brasileiro e como o resultado desta eleição diz respeito ao bem-estar de outros trabalhadores do continente, especialmente da Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba (essa nação tão usada e tripudiada por todos), em menor grau até por trabalhadores uruguaios, argentinos e chilenos, todo esse quadro internacional e internacionalista precisa ser levado em conta. O governo Dilma está, indiscutivelmente aa direita da maioria desses governos, mas, como sou socialista, sou em primeiro plano, internacionalista. A eleição do horrendo Aécio significaria um fortalecimento da direita asquerosa pelo menos em toda a América Latina. No atual contexto, que planos e ações efetivas intervencionistas, em diferentes gruas, do virtual ao armado, poderiam prosperar num contexto de América Latina “endireitada”?

De todos os erros da gloriosa URSS, apontados pela própria esquerda, um deles nunca foi a vitória sobre o nazismo na 2ª Guerra. Naquele momento, a URSS se aliou aa Inglaterra e aos EUA, sabedora dos riscos e preços dessa aliança, com um saldo de mais de 20 milhões de cadáveres (número muito superior mesmo ao extermínio bárbaro de judeus de cerca de 7 milhões), contra um mal que sacrificaria número muito maior de trabalhadores, para além do continente europeu. O que temos hoje, no Brasil, aa espera de ressurreição é dum lixo histórico muito próximo. As portas do Inferno estão aqui escancaradas. , aa espera dum porteiro que muito bem pode ser o yuppie de São João Del Rey. Que o digam as tenebrosas votações de Bolsonaro no RJ ou de Feliciano em SP.

dilma-visita-fidelDilma não merece meu voto, mas os trabalhadores merecem infinitamente menos a direita clássica e histórica no poder. Decididamente, a questão aqui não é meritocrática! Por Dilma, até por didatismo histórico, pra uma luta cotidiana um pouco menos covarde, ao menos. Isso não é nada indiferente, a quem realmente importa, em nossa sociedade.

[God bless Red America!]

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Categorias: Política | Tags: , , , , , , | 6 Comentários

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6 opiniões sobre “Dilma não merece meu voto!

  1. Jorge Luiz de Oliveira

    Muito bem construído o texto, parabéns.
    Concordo em grande parte, mas parece um pouco feito para isso, para que a esquerda concorde. Acho que por razões classistas, prefiro os transmorfos líderes políticos de outrora, com suas próprias correntes e “acorrentados” (desculpaí, nada pessoal !:) de volta ao lado em que confronte a direita, se não… não adianta, concordam ? Pois diante de tantas incoerências e teatro, meu voto sem conivência é 00 = o quanto valem ! Se os aloprados retornarem às bases da sociedade, fizerem severa autocrítica… e retomarem as lutas, pode ser melhor. O voto nulo, no mínimo protesta !

  2. Jorge, na verdade, meu texto é dirigido, claramente, a quem exatamente pretende votar nulo, na perspectiva dum diálogo muito tranquilo.

  3. Jorge Oliveira

    Quem se identifica inteiramente com quem quer votar nulo… vota nulo.
    Quem quer influenciar fica aconselhando a não votar nulo, mas votar em quem está argumentando e defendendo… (e justificando) seu próprio candidado. Propaganda política burra ou pretensamente inteligente é toda uma só farsa !

  4. Equívoco Humano

    Melhor parte do texto foi comentário do Jorge. SIgamos com a corrupção e com o estelionato eleitoreiro.
    http://www.sae.gov.br/site/?p=17351

  5. Tava estranhando já você não passar por aqui pra deixar sua contribuição.

  6. Pingback: 45 dá azar! (ou, Adeus, Lobão!) | transversos

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