Mistérios

retrovisor

É forte. Não queria essa lágrimas correndo involuntárias pelo rosto. Deseja um semblante impassível, uma muralha que não permita a ninguém conhecer o que faz sofrer. O lado humano prova cada vez mais que o racional não dá conta de tudo, que, em certas questões, sabe-se exatamente estar diante do inevitável, o cérebro já entendeu, mas os olhos, ah, esses teimosos…

O corpo todo acompanha o sentimento represado. Tensão, dor, tremores, respiração curta, ofegante, até que a explosão libere toda a energia contida. As mãos ao rosto para cobrir a vergonha de mostrar-se como é: sensível, com dúvidas, temores.

Cobre-se e cobra-se pela emoção, pela reação, pelo imprevisível. Queria correr até que, exausta, sem vizinhos, sem amigos, pudesse quedar-se em prantos não reprimidos nem consoláveis.  Quer autocompadecer-se sem plateia, sofrendo o quinhão que lhe cabe nesse vasto mundo de agruras.

E depois, os vizinhos, amigos, amores, passarão velozes, mas ainda a verão pelo retrovisor sorrindo um sorriso terno, acenando-lhes um adeus inesquecível.

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Categorias: Reflexões, Verso & Prosa | Deixe um comentário

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