Serial kids: o terror dos inocentes II

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A hora do mercado

Tenso e apressado, estava eu pilotando meu carrinho de compras no engarrafado Guanabara. Refletia distraidamente sobre o porquê de a Divina Providência não ter me predestinado ser herdeiro de uma família muito rica…
Eis que um traste atrevido, em altíssima velocidade, tromba com seu carrinho no meu calcanhar. O meliante tinha coisa de 1,30m, 10 ou 12 anos de pura maldade. Não prestou socorro e evadiu-se da cena do crime. Ainda que mortalmente ferido, parti em sua captura. Curvas radicais na seção de laticínios, retas velozes nos frios, um pit stop pro cafezinho 0800… Após uma caçada insana, lá estava o vândalo ardiloso, com seu cinismo petulante, escolhendo seu biscoito Trakinas favorito. Diante do flagrante delito, denunciei o terrorista à Veja e à Globo. No dia seguinte, sua careta dissimulada estava estampada na mídia escrita, falada e manipulada. Enfim, a justiça foi feita.

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Doce vingança

Mais de 2 horas esperando ser atendido por uma despreocupada dermatologista pra tratar as perebas de uma dermatite. A ortodoxia dos planos de saúde traz sob seus cuidados… a morte.

Uma fome medonha revirava minhas tripas. Foi quando eu vi aquele moleque ranhento comendo minha batatinha ruffles preferida. Quando a mãe dele entrou no consultório, iniciei minha batalha pela sobrevivência.
― Me dá uma batata?
― Não!
― Só uma!
― Não!
― Olha aqui, moleque, se tu não me der essa batata, eu vou tomar tudo.
― Mãeeeee!!!!
Me afastei um pouco e peguei uma daquelas revistas idiotas típicas de consultório médico para bater em retirada. Meu inimigo me encarava com fúria animalesca. O traste egoísta comia mais rápido para alimentar meu ódio. Devorou tudo e deixou o saco vazio no assento ao lado.
Súbito, peguei o elevador, saí do prédio e comprei dois sacos da mesma batata. Voltei rapidamente e fiquei de frente pro cramunhãozinho. Uma por uma, eu mastigava lentamente… As mãos do ressentimento vão temperando seu plano a fim de saborear a vingança, pacientemente, sem pressa ou vacilo.

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Categorias: Sociedade, Verso & Prosa | Deixe um comentário

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