Guerra Civil ( no Brasil) – Estado e Trauma

por Luis Mir *

Acossados por falsa indignação cívica da mídia e assemelhados de todos os tipos, os palácios estão dispostos a autorizar, ou melhor, mandar que se faça uma execução em massa de marginais de todos os tipos. Virá mais uma reedição das batalhas de marginais de bermuda e chinelo, contra marginais de uniforme.

Na revisão que estou fazendo para reedição de Guerra Civil – Estado e Trauma – , fiz um levantamento com base nos dados de mortos por resistência à prisão da parte de policiais civis e militares. Os matadores das corporações tem, em média, 20 mortes individualmente, a cada década, o que dá uma média de 2 mortos/ano. Mas essa estatística acaba sempre em impunidade total, os inquéritos são todos arquivados. Já os bandidos, matam sempre, cada vez mais, mas estatisticamente não há dados confiáveis, teria-se que analisar milhares de processos, e haveria insignificância estatística, pois menos de 10% dos assassinatos chegam os tribunais. Enquanto não chegam as Olimpíadas esportivas, as do ano que vem, temos as Olimpíadas Nacionais de Sangue, Dor, Lágrimas, que são promovidas diariamente. Há séculos. Como diz nosso glorioso hino:

De um povo violento e matador, o brado retumbante,
E o sol de sangue, em raios fúlgidos,
Colore o o céu da pátria em todos os instantes.

Se o penhor dessa crueldade
Conseguimos conquistar com braço assassino,
Em teu seio, ó matadores,
Desafiam a própria morte!

Ó pátria sanguinária
Malvada
Salve! Salve!

Brasil, um sangue intenso,
De morte e infâmia à terra desce,
Se em teu formoso céu, sangrento e negro,
A imagem da morte resplandece.

Assassino pela própria natureza,
És cruel, sanguinário, impávido matador,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra sangrada,
Entre outras mil,
És tu, brasil,
Ó pátria sanguinária!
Dos filhos deste solo és mãe bestial,
Pátria assassina,
Brasil!

Luís Mir, (Espanha, 1958) é um pesquisador, historiador e escritor brasileiro. Foi para o Brasil com alguns meses de idade. É autor de obras consideradas referência da história brasileira contemporânea, como a Revolução Impossível e Guerra Civil – Estado e Trauma. Em 2005 recebeu o Prêmio Jabuti – 1º lugar – em Ciências da Saúde.( fonte: wikipedia)luis mir

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