Bariátrico

grotesco

Corria nos sonhos montado em seu ódio contra a própria genética. Rancores estupefatos da herança hereditária materna. Neurastenia calculada dividindo-se o peso pelo quadrado da altura. Comorbidades, diabetes, hipertensão, uma vida reduzida à escolha de técnicas bariátricas: banda gástrica ajustável, gastrectomia vertical e derivação bileopancreática. A depender do quadro mórbido pendurado na parede do quarto.

Nervosismo, insônia, aumento da pressão sanguínea, batimentos cardíacos acelerados, boca seca, intestino preso. A dependência química ainda é um refrigério. O rigor medicamentoso e as restrições alimentares causam-lhe fastio e repugnância.

Lembranças de amores represados, do sexo interdito. Sarcasmo dos colegas da escola, bulling diário.

Por que não comprar armas e vingar-se de todos? Por que não praticar a arte da destruição? Kandinsky mortífero! Predador Dali!

Poderia ser Raskólnikov sem culpa, sem angústia de fazer algo importante. Dividir os indivíduos em ordinários e extraordinários. Planejar e concretizar, livrando-se da luta com sua consciência, a máquina horrenda. Sem ver o tamanho do crime, mas as pessoas que possam saber e desconfiar do ocorrido. Mostrar que faz parte do grupo dos extraordinários, indivíduos capazes de cometer qualquer delito, ou infringir regras sem culpa alguma.

Por que não?

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