Maio, mês das lutas

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Desde o final do século XIX, quando uma greve em Chicago pelas oito horas de trabalho diário desdobrou-se em um massacre contra trabalhadores e consequentes prisões e perseguições de líderes sindicais, o primeiro de maio tornou-se símbolo da necessária luta do trabalhador contra a exploração constante a que somos submetidos até hoje.

Já se disse que a carne em nossa mesa não vem da benevolência do açougueiro, mas de seu desejo por lucro. O interesse individual, sem intromissão estatal, levaria toda a sociedade a um tempo de paz, abundância e felicidade. Ninguém foi mais contrariado pelos fatos que o pobre Adam Smith.

Sua mão invisível rapidamente permitiu a exploração sem precedentes de trabalhadores, escravizados em doze, catorze e até dezesseis horas de trabalho sem direitos e recebedores de miseráveis soldos. Permitiu a formação trustes, cartéis e práticas de dumping vistas até os dias de hoje. A tal mão é invisível porque na maioria das vezes não existe mesmo.

Fôssemos guiados tão somente pela força dos interesses individuais, dadas as enormes assimetrias que o sistema jamais foi capaz (e que nem sequer teve inteção) de combater, não teríamos férias, 13º salário, licenças-doença ou maternidade entre tantos outros direitos, conquistados à base de suor e sangue, muito sangue.

É assombroso constatar em um 1º de maio do século XXI que trabalhadores ainda defendam os mecanismos de sua própria exploração e embarquem em uma onda estúpido-crítica que coloca os interesses da Fiesp como guardiães das conquistas dos trabalhadores.

Há pouco os conglomerados de telefonia que operam no país anunciaram seu interesse em limitar o acesso à internet, tornando-o mais caro e aumentando as assimetrias sociais e de aquisição de conhecimento que a ferramenta tecnológica oferece. Pensando em si e em seus lucros, não há mesmo benevolência, nem interesse de haver carne na mesa de todos.

Nessa hora, uma enxurrada de pseudo-liberais clamou pela intervenção estatal. Entretanto, não cansamos de dizer, temos um Estado a serviço do capital e, por isso, não foi de estranhar que o posicionamento da Anatel ratificasse os interesses dos barões das telecomunicações.

Esse é um problema real para os trabalhadores. Ao longo da história, os Estados intervencionistas na economia jamais atuaram no interesse da coletividade, senão funcionando como uma enorme empresa, de braços longos e fortes, impondo sua visão individual e restritiva de liberdades a toda uma sociedade. Financiamentos a perder de vista para industriais e financistas, falta de serviços públicos básicos para a sociedade.

Em outros casos, também abundantes na história, a cooptação de setores trabalhistas em prol de governos de conciliação geraram apenas medidas demagógicas, populistas e que em pouco atingiam as questões de fundo da relação de exploração existente no sistema. Acreditar que o capital pode ser humanizado e que as estruturas de dominação podem ser modificadas pelos mecanismos que os próprios exploradores criaram é de uma ingenuidade angustiante.

É necessário que a luta dos trabalhadores promova justiça social sem perder o norte da coletividade. Sem concessões aos falsos discursos, sem dar ouvidos às críticas que colocam os ganhos da população como culpados de uma crise que rende bilhões a financistas.

Querem imputar a todos que movem o país a culpa por crises e desmandos. Não aceitaremos. Assim, como já está mais do que claro que não há de aceitarem-se migalhas. O preço da conciliação, tal qual o da traição é alto demais.

A incessante luta pelas migalhas nos tira a fome do pão. E somos nós que o produzimos, somos nós que temos o direito a comê-lo. Longe das benevolências e dos interesses individuais, unidos façamos uma terra sem amos. Trabalhadores, o futuro está em nossas mãos. Sejamos corajosos para construir nossas utopias.

E tenhamos um feliz dia de luta.

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