Manifesto transverso de apoio incondicional à luta dos profissionais de educação do Rio de Janeiro

Todos temos visto, nas últimas semanas, um movimento de Greve de grande vulto na educação pública do Rio de Janeiro. Protestos, assembleias, passeatas de dimensões enormes, na medida da indignação sentida por esses profissionais. O movimento de Greve diz respeito a diferentes bases de trabalhadores da educação: Município, Estado (tanto a rede regular quanto a FAETEC).

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Especialmente na última semana, o tratamento dado aos manifestantes da educação tomou contornos grotescos, vis, bárbaros, brutais, assombrosos, desmedidos, fascitoides, inacreditáveis! Sob responsabilidade da dupla Paes e Cabral, respectivamente, imprefeito e desgovernador do Rio, praticaram-se atos de tamanha violência que deveriam ser suficientes à desincompatibilização com a direção do poder público, uma vez que, em termos práticos, o divórcio com a função de representação dos interesses populares já mais do que se escancarou escandalosamente.

Os professores e demais profissionais de educação em justa luta por seus direitos foram ultrajados e agredidos com uma truculência desproporcional, pelo anacrônico entulho autoritário da PM, que nos traz inquietantes dúvidas sobre a vitalidade do Estado de Direito em nosso país. Tudo isso, com a cumplicidade e distorção de fatos da mídia “oficial”, sobretudo daquele setor ligado às Organizações Globo, uma das grandes beneficiárias, via Fundação Roberto Marinho, de aporte de recursos do município do Rio de Janeiro para supostos projetos educacionais aplicados de cima para baixo na rede.

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Não bastasse todo esse degradante e vergonhoso cenário, ainda assistimos à concretização da metáfora de uma realidade em que o investimento em repressão é muitíssimo mais valorizado do que em educação. Balas que calam palavras!

Tudo isso para se mostrar quem manda? Para se mostrar poder? Para se amedrontar toda uma categoria e a própria sociedade? O que se viu, para além da violência concreta, foi uma violência simbólica estarrecedora, numa manobra perpetrada na Câmara de Vereadores do Rio que nos faz lembrar dos mandatos biônicos da Ditadura Militar. Maldita Câmara rateada, em duplo sentido, por interesses fisiológicos, acanalhados, pessoais, milicianos− com poucas e honrosas, porém quase impotentes, exceções!

A Greve da Educação já era justa antes! Aliás, fosse só por salários, já o seria, uma vez que investir em salário é investir em qualidade da educação! Fórmula simples e prosaica: um professor que recebe melhor pode trabalhar em menos locais e, assim, gerar melhor qualidade de trabalho, dedicando-se a menos turmas, correções, etc. Os melhores colégios, sejam públicos ou privados, são justamente os que mais conseguem ter um perfil interno de profissionais que se aproxime da dedicação exclusiva. Será coincidência? No entanto, essa greve não é centralmente por salários, embora só isso já fosse justo o suficiente. É uma greve por Plano de Carreira centralmente, ou seja, pela busca de um comprometimento de longo prazo com um projeto de profissão/carreira que possa, assim, retribuir com justeza o envolvimento de uma vida profissional inteira com o trabalho nessa rede. Eis o golpe inconsequente do imprefeito tresloucado do Rio de Janeiro. Esse é o mesmo que afirmou que não colocaria seus filhos na escola pública por ter condições de mantê-los na rede privada. É a velha lógica que marcou a universalização do ensino Público na história de nosso país: Escola pro povo pode ser qualquer porcaria. É aí que estatísticas se sobrepõem aos mais elementares aspectos humanos do cotidiano escolar. É aí que certificar alunos aos borbotões se faz mais importante do que formá-los. É aí que a Escola se torna depósito de crianças. É aí que professores entram, covardemente, na porrada!

Conclamamos, em nosso blogue TRANSVERSOS, uma solidariedade que vá além da visão condescendente que, tantas vezes, se tem com relação aos educadores. Uma solidariedade que ultrapasse a mera solidariedade com uma categoria profissional em luta justa. Uma solidariedade que extrapole o sentimento de pena e dê vazão à indignação contra o absurdo. Educação é tudo de que precisamos e é aquilo que, uma vez, sob controle da população, não mais lhe poderá ser retirado. Isso numa sociedade que todo o resto pode nos retirar, a começar pela dignidade.

SOMOS TODOS PROFESSORES! VISTA PRETO, USE PRETO, AMARRE FITAS PRETAS NA BLUSA, NO BRAÇO, NO RETROVISOR! Preto: cor da resistência, de quem não se verga, não se rende! Esta luta é agora de todos nós! Não é só pela questão salarial, pelo Plano de Carreira! É porque tudo tem limite! Não somos cúmplices do absurdo! É pela educação que podemos, aí sim, extravasar os limites de se ser humano!

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2 Comentários

2 opiniões sobre “Manifesto transverso de apoio incondicional à luta dos profissionais de educação do Rio de Janeiro

  1. pauloffred

    Ficou bom demais isso

  2. Pingback: Governos 3 x 1 Trabalhadores da educação em luta | transversos

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