Van Gogh – da vida turbulenta à turbulência cósmica!


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Vincent Van Gogh

O texto de hoje me é muito caro e, de antemão, aviso ao leitor que não sou expert em artes, mas apenas uma grande admiradora do genial Van Gogh.

Conheci o Impressionismo ainda muito jovem. Era criança quando uma professora, a quem admirava muito, D. Jocimara, pediu-me uma pesquisa sobre a vida e a obra de Manet. Fiquei tão fascinada que comecei a ler tudo que falasse sobre Impressionismo. Foi assim que Vincent Van Gogh entrou na minha vida pra ficar! Nem vou falar aqui sobre Romantismo e Realismo tendo em vista que, além de não querer me estender demais e acabar por fugir do meu objetivo, estou ansiosa pra falar do grande gênio!

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Manet

Em meados do século XIX, Manet apresenta seu novo quadro “Almoço na relva”, e foi um verdadeiro escândalo. O quadro se tratava de um piquenique, um evento cotidiano, ao invés de um momento histórico, ou religioso, ou mitológico, que era o que a academia esperava. As pinceladas eram livres e esboçadas, e o pintor tinha uma preocupação muito maior com as luzes e as sombras do que com os detalhes. Manet ganhou a simpatia dos pintores mais jovens por romper com as regras rígidas de retratar com perfeição e detalhes realísticos. E esses jovens, entre eles Monet, Renoir e Degas, encantados com a ousadia de Manet, seguiram seus passos e começaram a pintar a vida cotidiana ou a natureza, e saíram dos estúdios para pintar ao ar livre. Alguns anos depois, fizeram sua primeira exposição e Monet (não confundir com Manet) apresentou seu quadro chamado “Impressão: Alvorecer”. Um crítico de arte, inconformado com a nova forma de pintar, apelidou o grupo, em tom pejorativo, de Os Impressionistas, em alusão ao quadro de Monet. Entre as críticas que receberam, eram chamados de preguiçosos que não queriam terminar seus quadros ou mesmo de incapazes. Mas os pintores, se utilizando da mesma ironia, mas também porque concluíram que era um bom nome, dois anos depois fizeram nova exposição e se autointitularam Impressionistas. É necessário que eu explique, ainda que de forma leiga, como se dava a pincelada dos artistas impressionistas. No desejo de reproduzir as cores como são reproduzidas na natureza, os impressionistas, se queriam representar o verde, por exemplo, não se utilizavam de uma pincelada de verde, mas davam duas pinceladas bem próximas, uma azul e outra amarela, a fim de que a mistura das duas cores se fizesse em nossos sentidos, em nossa mente. Importante dizer também que o Impressionismo não é um contraponto ao Realismo, e sim que nasceu, cresceu e se definiu dentro do Realismo.

Van Gogh

Autorretrato com chapéu de feltro – Van Gogh

Em 30 de março de 1853, nos Países Baixos, nasceu Vincent Van Gogh, filho do pastor calvinista Theodorus e de Anna Cornelia Carbentus. Vincent teve uma vida marcada por fracassos em todos os aspectos da vida que eram importantes na época. Não conseguia manter sua subsistência, se relacionou de forma turbulenta com sua família e tinha muitas dificuldades de sociabilidade. Vincent teve mais dois irmãos e três irmãs, mas só conseguiu estabelecer uma relação mais profunda com seu irmão mais novo, Theodorus Van Gogh. O jovem Vincent começou a trabalhar para um comerciante de arte indicado por um tio, mas, na época, só se interessava por estudos religiosos, foi demitido. O rapaz trabalhou ainda numa livraria, trabalho que durou pouquíssimo tempo, tentou entrar para a faculdade de Teologia, mas fracassou, depois tentou a Escola Missionária Protestante onde também fracassou e, em 1879, começou a trabalhar como missionário em uma comunidade pobre de mineiros, na Bélgica. Em 1880, Vincent que demonstrava muito gosto pelas artes, foi incentivado por seu irmão Theo, com quem trocava cartas com bastante regularidade, a seguir os estudos de pintura. É então quando o genial Van Gogh começa a surgir! Esse jovem pintor carrega consigo os momentos que passou entre os camponeses durante o trabalho de missionário nas minas de carvão. Graças a esses momentos, carrega consigo uma forte empatia e solidariedade pela vida humilde dos camponeses e o ápice do seu trabalho nesse período é o quadro “Os comedores de batata”.

Os comedores de batatas

Os comedores de batata

Sua vida foi de agruras, decepções e desgraças e, com certeza, isso influenciou na sua arte! Van Gogh foi influenciado também, e muito diretamente, pelo Impressionismo e pelo Japonismo. Esse último, ele conheceu na França através de gravuras de Hokusai e Hiroshigue. Aqui vale uma digressão para os nerds que amam cultura japonesa, Hokusai é o precursor dos mangás como nós os conhecemos. Na primeira metade do século XIX, Hokusai fez um conjunto de obras com 15 volumes chamados Hokusai Manga que representa os primeiros passos para as “histórias em quadrinhos” no Japão.

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A Grande Onda – Hokusai

Mas voltando a Van Gogh… Entre as  mais de 800 pinturas que Van Gogh nos deixou, uma é especialmente impressionante, “A Noite Estrelada”! Esse quadro foi pintado enquanto Vincent estava internado no asilo Saint-Rémy-de-Provence por problemas psicológicos sérios que o levavam a apatia e depressão. É também, durante essa internação que Van Gogh rompe com o Impressionismo e desenvolve um estilo próprio onde prevalecem as cores primárias, principalmente o amarelo, e a bidimensionalidade. Inicia-se a fase Pós-Impressionismo. Mas o que há de tão especial nesse quadro? Vários elementos do quadro nos remetem a própria história de vida do pintor. O campanário da igreja se sobressai em meio às casas da pequena aldeia de Saint-Rémy, possivelmente, uma marca de sua crença religiosa, sua espiritualidade exacerbada. Há quem chame atenção também para a coincidência de que há onze estrelas no céu e em Gênesis 37: 9 está escrito “Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim”. A sensação de isolamento também é uma característica marcante do quadro. Mas o que mais me chama a atenção, e também de alguns cientistas, são as nuvens espiraladas e a turbulência na luminosidade das estrelas. Presença, nesse quadro, que me faz pensar na própria vida turbulenta do pintor.

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A Noite Estrelada – Van Gogh

Nesse ponto, Van Gogh, Matemática e Física se encontram de forma surpreendente e como você nunca imaginou!

Turbulência, para um cientista físico ou matemático, é um fenômeno que ocorre na água quando um navio aciona a hélice ou no ar durante o voo de uma aeronave. (Essa turbulência, da qual estou falando, é autossemelhante, ou seja, um turbilhão maior transfere energia em cascata para turbilhões menores e assim sucessivamente em outras escalas menores, o que nos lembra dum texto recente meu sobre Fractais – parte 1 e parte 2). Durante a viagem do telescópio Hubble, cientistas observaram o fenômeno da turbulência em nuvens de poeira estelar e gás e lembraram-se do quadro “A Noite Estrelada” de Van Gogh. O quadro virou objeto de pesquisa, foi digitalizado e analisado pelo modelo matemático de Kolmogorov, cientista russo que estudou o fenômeno. Descrevendo o modelo de forma simplificada, o cálculo avalia a chance de cada ponto, ou pincelada, ter o mesmo brilho ou luz. Pois bem, é nesse ponto que nós nos impressionamos! Os efeitos de luminosidade que Van Gogh dava às suas obras continham cálculos exatos e uma precisão que só é encontrada na natureza! Analisando outras obras, os cientistas perceberam que Van Gogh só conseguiu atingir esse traço de genialidade sob o efeito da crise mental. E na minha mente sã passam as seguintes perguntas:

Existe loucura ou se trata de uma percepção maior da natureza e dos fenômenos naturais? Loucura ou genialidade?

Talvez sejamos detentos da nossa própria sanidade… Talvez a loucura seja o espaço para criar e ser livre…

 “O que sou eu aos olhos da maioria das pessoas? Uma não entidade, ou um homem excêntrico e desagradável – alguém que não tem e nunca terá posição na vida, em suma, o menor dos menores. Muito bem, mesmo que isso fosse verdade, devo querer que o meu trabalho mostre o que vai no coração de um homem excêntrico e desse joão-ninguém.” – Carta de Vincent ao irmão Theo (21 de julho de 1882).

Mas a humanidade ainda não estava pronta pra isso!

 

*Van Gogh se suicidou, tendo vendido apenas um quadro em toda sua vida. Após sua morte, seus quadros passaram a valer uma fortuna e estão, desde então, entre as obras mais caras já avaliadas.

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Eu versus nós


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De repente, já não havia mais nada. Eles venceram e conceituaram a verdade como quiseram. E houve quem acreditasse. Ainda há.

Em um átimo, tudo era o ruim e tudo era o PT. Mas o que se escondia por trás desse discurso era pior que governo, é assassinato ideológico, será a demonização da história.

O maior roubo do Partido dos Trabalhadores não ocorreu na Petrobras ou no Congresso. São milhões desviados pelo mesmo princípio (ou falta dele) que outros fariam. E fariam mesmo. Sem os mesmos pudores. Pudera.

O maior de seus crimes foi roubar a esquerda. Validar uma crítica do que não somos. Transformar uma ideologia, um pensamento, uma forma de lutar por direitos em caricaturas, em chacota.

Tudo isso, sem que, em qualquer momento, houvesse preocupação efetiva com o coletivo por ser coletivo. Fomos vendidos sem procuração por quem servia ao capital.

Daí chovem críticas. A nós, como se eles fôssemos. Criam-se factoides de ditaduras comunistas, com gritos de ódio contra o que não entendem. A pintura no quadro vendeu-se como verdade nas ruas.

De fato, a esquerda não goza do monopólio da bondade. Da mesma forma que as pessoas de “bem”, via de regra não são e, se são, não são as únicas a poder ser.

A questão reside, grosso modo, na dicotomia coletivo x individual.

O pensamento liberal-direitista defende que o livre comércio, a diminuição do Estado e de seus gastos levará a uma situação de equilíbrio, onde a própria competição tratará de possibilitar a todos uma inclusão no “maravilhoso” mundo dos bens.

Nada mais falacioso, já que as assimetrias existentes não permitem que isso de fato ocorra, pelo simples fato de que não dá para imaginar que, em uma corrida em que alguns têm motores a jato e milhões estão a pé, haverá qualquer possibilidade de disputa.

O individualismo leva à noção do mérito, algo que todos devem ter para conquistar suas posições sociais e econômicas. Isso é a defesa da liberdade, cada um será livre para ter o que é seu, o que merece, o que conquistou. Lindo, não é?

Ora, sem igualdade de condições, como haverá essa liberdade? Não precisamos nem mesmo chegar ao exemplo da fome para criticar a ideia, podemos usar exemplos do próprio capital. Empreender é possível para todos? As taxas de financiamento são iguais e globais? O desenvolvimento e a capacidade tecnológica estão ao alcance de todos? A liberdade, nesse caso, é apenas desculpa para justificar privilégios de quem já tem a posse do mercado que quer.

O curioso é que o individual é protegido economicamente, seus bens e meios de produção – adquiridos historicamente – são direitos inalienáveis e fruto da meritocracia. Entretanto, o padrão de consumo e a imposição de um modelo para o “sucesso” são absolutamente padronizados, vendidos coletivamente.

O menino da favela enxerga o “ter” como mais importante do que o “ser” ou de seu “estar” da mesma forma que seu par na Vieira Souto. Para um deles é vendido um modelo cujas assimetrias reais jamais lhe permitirão alcançar. Daí, a responsabilidade foi só dele. Faltou-lhe mérito. Menos “Mises-en-cene”, por favor.

Mas essa mesma direita-liberal-com-o-capital ignora liberdades realmente individuais. O Estado, que não deve se meter na vida econômica, deve regular e proibir quem casa com quem, o que é legal de ser consumido ou não e por aí vai.

O contraponto é que a esquerda não é a representação do bem, mas do coletivo. As coisas coletivas devem ser tratadas coletivamente e o Estado deve ser capaz de assegurá-las. E os interesses coletivos se sobrepõem aos méritos e posses individuais, em especial quando atacam as assimetrias existentes.

Ao ver o governo do PT, percebe-se claramente de que lado se coloca. Nada ali foi feito por princípio. Dirão alguns que o PT distribuiu renda como nenhum outro e que isso é pensar no coletivo. Na verdade, as ações serviram para estimular a entrada de um contingente enorme de consumidores para sustentar o desenvolvimento industrial e comercial em tempos de crise.

Os milhares colocados nas universidades lá estão às custas de uma transferência brutal de dinheiro público para os cofres das universidades privadas. O consumo, que aqueceu a economia, fez devedores eternos dos financistas, com suas altas taxas de juros.

O PT garantiu crescimento e lucros exorbitantes às montadoras de automóveis, aos grandes empresários e aos banqueiros. A riqueza distribuída voltou para a mão daqueles que sempre acumularam e que passaram pela crise mundial do capital com um sorriso na mão e uma marolinha no horizonte.

Contudo, quando o capital cobra a conta, vemos para quem tudo isso foi feito. Na crise, ninguém cogita suspender o pagamento dos serviços da dívida – na casa das centenas de bilhões – porque esse é o compromisso com a subserviência ao capital. Os cortes são sempre para quem está desse lado da assimetria, na conta da população em geral, nos direitos coletivos.

Uma alternativa de esquerda verdadeira deve se formar para se contrapor a uma hegemonia de pensamento único com denominação ambígua, que só serve para nos aprisionar. Não uma esquerda aquela passadista, de ares ditatoriais e que confundia a atuação forte do Estado com o controle total e ditatorial de sua população. Mas uma que estabeleça o coletivo como prioridade e demonstre que a liberalidade é o benefício de uns sobre a pobreza de muitos. Liberdade só existe se for para todos.

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O X da questão


Carxs e queridxs leitorxs, hoje, escrevo aqui um texto que há muito venho pensando, em termos tanto profissionais quanto amplamente humanos, sociais e políticos em si.

Trata-se do, assim chamado, tratamento não binário, para lidar com masculino e feminino na língua portuguesa. Me empenharei em não ser professoral. Não é o que pretendo de modo algum, até por reconhecer as melhores intenções, em geral, nos adeptos dessa suposta solução.

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Antes de prosseguir, nem quero entrar no mérito da escolha pela forma mais conhecida dessa escrita, representada, no português, pelo X. Nem sei se compreendo exatamente a origem desse X. Seria um símbolo universal de incógnita? A letra que representa o sexo feminino por excelência, por sua composição cromossomial? Bem, seria justo se pensarmos que o sexo feminino, biologicamente, é o básico do homo sapiens sapiens. Mas, isso tudo, por ora, é digressão. Vamos ao que nos propomos mais diretamente.

Como diria o linguista Jack, vamos, então, por partes. Em primeiríssimo lugar, há de se perceber que a proposição toma, em grande parte, gênero linguístico por gênero sociológico, quando não biológico. Para cada uma dessas áreas, gênero significa algo bem diferente. Na biologia, grosso modo, é sinônimo de sexo mesmo, na Sociologia, diz respeito aos papéis representados junto a uma dada comunidade humana. Assim, sexo e gênero não necessariamente convergiriam, embora, sobretudo em nossas representações societárias atuais arquetípicas e estereotípicas, coincidam muitas vezes. Mais que isso, a não coincidência tende a ser motivação de rotulações e processos vários de exclusão no seio dessas sociedades, os quais, sabemos, podem assumir manifestações e roupagens humanamente bastante perversas.

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Já o gênero gramatical é algo bastante dissociado das perspectivas acima. Em primeiro lugar, os próprios nomes “masculino” e “feminino” correspondem a uma escolha bastante arbitrária pra categorização dual que herdamos da gramática grega, desde o séc. II a.C.. Ora, é só pensar em toda a sorte de objetos e coisas em geral categorizados como masculino ou como feminino. E pensar também em como isso muda de língua pra língua. Mesmo algumas categorizações que parecem muito universais mudam. Pra nós, parece quase que natural “sol” ser masculino e “lua”, feminino. Em alemão, é o contrário. Poderíamos chamar os gêneros gramaticais do que quiséssemos: gênero 1 e gênero 2, gênero básico e gênero modificado, gênero zero e gênero marcado, etc. Isso pra pensarmos apenas em dois gêneros. Numa mesma língua, o gênero pode mudar ao longo do tempo. “Mar”, até o séc. XVII era feminino em português, como até hoje atestam formas como “maré”, “maresia”, etc.

[Interessante filme argentino sobre ser homem, ser mulher, ser ambos e ser nenhum dos dois.]

[Neste texto, a palavra “gramatical” não se relaciona ao sentido senso comum de “certo” ou “errado”, “uso permitido ou proibido”; pelo contrário, diz respeito ao próprio funcionamento das línguas em escala bastante generalizada e sistemática, atestado em seus usos “reais”, espontâneos e cotidianos.]

Há línguas, como o inglês, que apresentam, na prática, gênero único e o masculino e o feminino são formados por outros processos; neste caso, anexando-se, por exemplo, palavras suplementares, “policeman”, policewoman”. A língua hitita, já morta, apresentava um único gênero para todas suas palavras. Muitos dizem então que, em hitita só havia gênero masculino. Ora, é claro que tal afirmativa só faz sentido dentro de uma tradição terminológica de base grega que enxerga “masculino” e “feminino” como demandas naturais do gênero linguístico. Tampouco, isso nos informa sobre a sociedade hitita e seus níveis de machismo e opressão aa mulher. Pensar assim é bastante reducionista. Fosse desse jeito, as sociedades de língua inglesa seriam paraísos da igualdade de direitos entre os seres, segundo o parâmetro do sexo ou do gênero (sociológico, por favor!).

A língua dyirbal, falada na Austrália, categoriza seu mundo em quatro gêneros distintos. O linguista George Lakoff, “pai do cognitivismo” atribuiu a esses gêneros a designação “fogo, água, ar e terra”, o que, obviamente, é uma classificação feita de fora, segundo algum juízo pré-concebido. A partir daí, ele compôs a obra de título aparentemente polêmico, um dos pilares do Cognitivismo e grande obra da história da Linguística, “Women, fire and dangerous things”, em alusão ao fato de que, na língua dyirbal, estes elementos partilham o mesmo gênero.

Sempre lembro de que “mulherão” é gênero masculino. Em outras línguas, há exemplos vários que atestam o descolamento de gênero linguístico e sexo biológico. Em alemão, “menina” é gênero neutro, por exemplo. Gênero gramatical, decididamente não é, nem em alusão, sexo biológico e tampouco gênero sociológico.

Agora, uma questão outra é a compreensão que muita gente tem manifestado quanto isso, considerando que o uso de formas masculinas é indício de opressão na língua. Poderia desenvolver aqui que a categorização de gênero ocorre em nível morfológico e este é um extrato da língua a qual o falante não tem acesso consciente. Confesso que terei dificuldades de falar disso de forma simples, sem ficar professoral; então vou me deter apenas nessa premissa, sem a desenvolver. O masculino, em português, tem papel duplo: refere-se ao gênero masculino e é o gênero geral também. Portanto, “companheiros” inclui “companheiras”, o que não impede, claro, ninguém, por estilo ou por demarcação de posição/ênfase de falar “companheiros e companheiras”. Mas, lembremos. Gênero linguístico não é sexo!

A questão pra mim mais delicada de toda esta história é a que estabelece uma contraditoriedade entre intenção e efeito, sobretudo em perspectiva histórica. Como já disse, sei das boas intenções da proposta, bastante ingênua em termos estritamente linguísticos, de “não binarismo”. Ocorre que, sem querer, tal proposição é profundamente conservadora. Um dos maiores paradigmas do papel opressor, discriminatório da língua, ao longo de toda a história sempre foi o da logicização da própria língua. Aliás, isso é o que está no cerne da herança de estudos de linguagem na Grécia Clássica, derivada da abordagem filosófica. É graças a essa perspectiva logicizante que a língua tornou-se esse colosso opressor a devastar outras culturas ou membros de sua própria cultura, a partir de um raciocínio simplista e simplificador que a língua é reflexo do pensamento e se estruturaria nas mesmas categorias básicas. A língua não designa a realidade; ela é um sistema simbólico (na verdade, de signos, mas simplifiquemos) que constrói representações para dada realidade. É da não compreensão disso que vem toda a parafernália de “certo” e “errado”. É daí que vem toda a exclusão social feita a partir do critério do uso linguístico. É daí que vem o massacrar brutal de povos, sociedades inteiras ao longo de nossa história. Eu desconheço uma única aplicação logicizante aa língua que tenha caráter revolucionário, transformador. Seja na Antiguidade, na Idade Média, no Renascimento, no século XX, o ímpeto de aprisionar a linguagem, tão variada e multifacetável quanto o ser humano, a categorias estanques, limitadas e demarcadas acopladas ao pensamento “tangível” sobre o mundo exterior criou um lastro interminável de desgraceiras pras línguas e seus falantes. Impor logicização aa língua sempre é tirá-la de seu curso real/natural do uso de seus falantes.

A proposta e abordagem em questão são tão inerentemente conservadoras que transbordam esse conservadorismo imanente. É só constatar que, agregadamente, a ideia em questão traz um valor indissociável de prevalência da escrita sobre a fala, reconfigurando um quadro de se lidar com a língua de 100 anos atrás, e jogando por terra todo o combate ao elitismo, preconceitos linguísticos, dogmatismos e exclusão social que estão inerentemente associados aa suposta prevalência da escrita sobre a fala. Mais do que isso, é a corroboração e aval a todos os procedimentos de tiranização e brutalidade cultural e física perpetrados no passado e no presente contra populações ágrafas, em todo o globo. Aqui no Brasil mesmo, cotidianamente, essas sociedades vêm sendo exterminadas com silêncio e cumplicidade da sociedade omissa, em posturas que apregoam a primazia da escrita sobre a fala, por exemplo. Em outras palavras, com boas intenções, acaba-se por reforçar os parâmetros mais maximizados de preconceito linguístico que há e, por que não dizer, do respeito cultural ao direito humano mais básico, o de se expressar.

No fim das contas, a proposta de uma linguagem de designação supostamente não binária, é como, bem mal comparando, condenar nazistas a penas em campos de concentração.

Obviamente, a língua pertence a todos, inclusive aos que não a usam articuladamente por alguma limitação de ordem física. Isso faz com que todos sintam-se, com justeza, a poder falar sobre a língua. Contudo, a quem a estuda, não é possível apenas se furtar diante de certas discussões e demandas. A língua real não é regulada por gramáticas. Estas apenas dão conta de uma ínfima fração de língua chamada língua padrão, um uso idealizado e que não é efetivamente praticado no dia a dia de uso linguístico espontâneo. Não é dessa língua padrão que estamos falando, mas sim daquela cujo funcionamento não pode ser “decidido” ou legislado por ninguém, do próprio funcionamento do sistema linguístico que não pode (no sentido da possibilidade mesmo e não no da permissão), simplesmente, ser objeto de decisões/deliberações pessoais ou coletivas. Tentar fazê-lo, além de artificial, é, inevitavelmente, ato dos mais insensíveis autoritarismos, como temos muitos exemplos ao longo da História.

É claro que a língua é um elemento cultural e social muitíssimo potente, aliás, possivelmente, o mais constitutivo e basilar de todos. Logo, a relação língua e sociedade há de ser um tanto complexa, em uma dialética incessante e bastante difundida.

Há, nesse mesmo campo de questões de língua que dizem respeito aa morfologia, questões bastante candentes, como, por exemplo, por que determinadas designações no feminino carregam carga pejorativa e depreciativa? Ora, “vagabunda”, “safada”, “malandra”, “vadia” não são meramente as formas femininas para “vagabundo”, “safado”, “malandro”, “vadio”. Nem mesmo em Portugal, “puta” é simplesmente o feminino de “puto”, menino, garoto, jovem. É claro que esse exemplo bem simples mais do que demonstra a complexidade da interação língua e sociedade. Ora, o que está aí em jogo não é a morfologização de feminino em “a”, mas a leitura social a ela aplicada, nesses casos. Propostas como a discutida neste texto buscam uma intervenção quanto a questões como essa, mas, por todas as razões aqui apresentadas, por um viés muito equivocado.

A relação língua e sociedade é das mais complexas que há por se lidar e transborda ideologia, inclusive, em acepção menos saliente de explicitação bastante direta de ideias do que, cotidianamente, estamos acostumados a pensar. Dificilmente, as ideologias de uma sociedade surgem transparentemente numa língua, pois que são fincadas em níveis muito distintos (de profundidade e visibilidade, inclusive) e num trabalho de escavação cultural de séculos, por vezes, milênios.

Espero ter conseguido pontuar algumas questões importantes para o diálogo, no que diz respeito aa linguagem, na discussão social de gênero. Tentei ser não academicista e expor a questão da forma mais simples e menos técnica possível. Não se trata de poder ou não poder, muito menos de certo ou errado. Nem reconheço tais categorias e isso aqui é um papo sério, de adulto e de ser humano. Espero que todos que leiam este texto possam encontrar aqui algo pra refletir.

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O golpe comunista


No último domingo, milhares de minions foram às ruas batucar panelas

No último domingo, milhares de minions foram às ruas batucar panelas e pedir… o que mesmo?

– Não há mais o que fazer diante da situação. O povo de bem foi às ruas e reivindica seus direitos. Negam-se a sustentar os vagabundos a quem chamamos de… como é mesmo o nome?

– Trabalhadores? – respondeu em tom de talvez o gordo empresário.

– Sim, é isso. E foi por conta disso que chamei todos vocês aqui. Não há como retroceder, fomos longe demais. É hora de baixar as medidas necessárias à nossa revolução.

– Mas… – tentou interromper um banqueiro, prontamente impedido pelo ministro a seu lado.

– Assim sendo, eis nossos principais eixos a serem proclamados triunfalmente:

“Fica estabelecida a reforma agrária, ampla e revolucionária, respeitando-se a propriedade privada adquirida, os incentivos ao agronegócio e as permissões de desmatamento;

Fica estabelecida o controle dos meios de produção pela coletividade representada pelo governo, respeitados todos os direitos de propriedade anteriores a esta resolução e dentro da manutenção das relações de trabalho anteriores a este termo.

Nas linhas desta declaração, afirmamos que todo dinheiro público servirá para gerar riqueza para o povo, construindo parcerias com os meios de produção acima citados, por meio de empréstimos e financiamentos, possibilitando que os empresários cresçam seus negócios explorando a força de trabalho do povo.

Fica estabelecido o total respeito ao dinheiro do povo, de acordo com as medidas de ajustes fiscais aprovadas pelos representantes do sistema financeiro, que se comprometem a auxiliar com crédito as aquisições populares de bens, dentro das normas hoje praticadas, que não se traduzam em perigo de prejuízo para sua própria operação.

Garantido o direito de todos, declaramos proclamada nossa revolução.”

– E quanto àquela gente que vai às ruas?

– Estão acreditando realmente que todos nós estamos em lados opostos. Eles acreditarão inclusive no nome de nossa revolução.

– Mas não há o risco de que derrubem o regime?

Rapidamente, um dos ministros respondeu:

– Mas aí tanto faz, pois já fizemos o que era bom para vocês. Se sairmos, quem vier continuará garantindo tudo isso, apenas com outro nome. E eles vão achar bom exatamente o que já têm.

– Néscios.

– E nós?

– Sócios.

– Todos?

– Sim, desde os vermelhos às aves. Somos todos de um pensamento só. As medidas sempre serão as mesmas, fiquem tranquilos.

– Quando tudo isso entra em vigor?

– Quando deveria.

– No 31 de março, para contemplar os mais estúpidos?

– No primeiro de abril, assim se contemplam mais desses estúpidos.

E todos os camaradas do capital brindaram um viva à revolução.

 

CONCLUSÃO DA HISTÓRIA: Se verdade ou mentira, já não importa, pois uns baterão palmas; outros, panelas. O que não batem mesmo é bem da cabeça.

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Apertem os cintos, o governo sumiu…


Ao menos é o que parece. Pela esquerda, pela direita, por onde se olhe. O governo encolheu, desapareceu, escafedeu-se carcomido pela enxurrada de denúncias cínicas da mídia feroz e babenta, pela vociferante, ingrata e rancorosa dita classe média, pela base achacadora (GOMES, Cid “Educar é amor”, deseducado, mas sincero e, pela primeira vez, certeiro, EX-[e foi tarde]ministro da Educação) e fisiológica, pelo gradual abandono das sempre voláteis elites empresariais que já lhe foram base e sustentáculo.

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Refugiado nas profundezas do pré-sal, órfão de sua popularidade, hoje mais escassa do que o volume dos reservatórios de São Paulo, refém de seu outrora ingênuo e vão moralismo político, desarvorado de sua arrogância, encurralado por aqueles a quem tentou encher de mimos.

Diga-se de passagem que os governos do PT sequer despentearam uma única mexa de cabelos das classes dominantes.

O projeto de agradar a gregos e a baianos parece que tá dando água. Antônio Ermírio de Moraes, recém-ex-paladino pró-Lula é hoje dos cruéis algozes de Dilma, os banqueiros, vide Itaú e Santander, já não confiam seus hipermegalucros aa liderança do governo petista. Sequer a indicação, muito aa direita, de Joaquim Levy parece ter apaziguado ânimos financeiros e especulativos. Em meio a tudo isso, vem a Petrobras, estatal cada vez menos pública, oferecida de bandeja, a pretexto de “salvação”. Fala-se dissimulada e seletivamente  em corrupção como não fosse esta sistêmica. Não há capitalismo sem corrupção! Seria como uma floresta sem árvores, uma ave sem penas. Desde meus primeiros textos no blogue, bato nesta tecla. E o pacote anticorrupção, hein?! E a grande qualificação e denúncia do debate é o alarmante volume de corrupção tucana deixada para trás, embaixo do tapete. E não bastasse tudo isso, ainda me vem o tal de FHC, canastrão e matreiro, dizer que a corrupção na Petrobras é uma jovenzinha?! De ex-presidente a piadista.

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Lata d’água na cabeça, lá vai a Dilma… isolada, excluída, em ironia- dirá seu séquito político. Até o PAC afundou nas águas turvas da enchente de crise e dilúvio de golpes desferidos de toda parte. São as águas de março? E que promessa de vida poderá haver nos golpistas corações? Isso tudo pelas opções de possibilidades- não confundir com possibilidades de opções- feitas há muito pelo PT.

Falou-se que Lula teria aconselhado Dilma, logo após a CoxaFolia, “Se não não há verba, use o verbo.”. A frase condiz com o seu estilo sagaz. Só que Dilma não tá pra conversa. “Dilma Bolada”: de chiste a profecia.

Sabemos que, acuado pela mídia e pela coxinhice em fúria vitaminada elitistamente, a conta de toda essa fanfarra tende a ser cobrada dos trabalhadores. Que bom seria se esses virassem esse jogo, uma indigna pantomima de Fla-Flu. E antes que, tresloucadamente, se vire a mesa e, batendo pezinho e panelas, se encerre o jogo. Isso sem falar, claro, nos afagos já anunciados pelo encurralado governo aos mimados golpistas. Realmente, tá com muita cara de que vai sobrar, pra variar, pro trabalhador.

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Quem dera o governo Dilma fosse de esquerda, como bradam seus histéricos opositores. Quem dera fosse benéfico aos trabalhadores como tentam fazer crer seus quixotescos apoiadores, defensores de uma política e rumos para o governo que ninguém, no seio desse mesmo governo, defende.

Sem rumos, esse governo (assim como seus opositores) é ainda mais preocupante. E o descontrole desse voo diz respeito não só ao nosso país, mas a, no mínimo, toda a América Latina.

 

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Uma pauta puta e uma puta pauta


O dia começou engraçado. Acordo um bocado cansada, mastigo com os olhos a longa lista de tarefas a enfrentar  enquanto engulo meu café e recebo a visita da síndica. Ela costuma ser amável, ao contrário da fama clássica da função, mas hoje exibe uma ruga na testa e, como diz, trouxe um problema sério. Minha floreira minúscula de vasos minúsculos em um canto minúsculo da janela da área de serviço deu causa a uma queixa à sua autoridade. Considerando que minha mini floreira mora na mesma janela há mais de uma década, janela esta que dá para o poço de iluminação e que sob ela há grandes vasos de plantas e nenhum risco para homens ou animais (aliás, nem para as plantas sob ela), I beg your pardon, pergunto cool como uma britânica, quem seria o autor desta cretina denúncia? Ela declina denunciar o autor do reclame. Well, não é tão difícil imaginar, considerando que o vizinho da frente é meu chapa e que, fora ele, o único apartamento de onde se poderia avistar a floreira fica no andar de baixo. Digo poderia porque seria necessário que seus moradores fossem à própria área de serviço, abrissem a janela, esticassem bem o pescoço e olhassem para cima, para a parede oposta à sua. Reflito um pouco e concluo: decerto foi isso mesmo que aconteceu pois, como se sabe, todo mundo anda com tempo sobrando e quase nenhuma fonte de diversão, daí o hábito frequente de arranjarem sarna para se coçar. Não durei tanto tempo em cima do salto quanto deveria, devo admitir.

Menos de dois minutos após sua saída me dou conta do que deve ter motivado a reclamação. O referido vizinho manteve por muitos anos mais de uma dúzia de vasos de samambaias presas à parede do lado de fora em toda a extensão da janela – cerca de 3 metros. Por ocasião da pintura das paredes do fosso, elas foram retiradas e talvez nossa síndica, que nunca gostou de samambaias, o tenha impedido de as recolocar. Sim, agora percebo o porquê de frases misteriosas em meio à minha saraivada de frases irônicas e sarcasmo ferino. Coisas como “ estou sendo questionada quanto ao cumprimento do regulamento”. Ironia máxima do destino. Durante quinze anos nosso pequeno prédio sequer teve condomínio regulamentado. Nos organizávamos em um conselho informal, promovíamos reformas estruturais no prédio, compusemos um fundo de caixa que chegou a quase 30 mil reais, devidamente transparente e fiscalizado, sem nenhuma formalidade. Então quem teria nos obrigado a constituir um CNPJ, inventar um regulamento e um custoso e desagradável processo burocrático? O vizinho reclamão! Sim, senhor, disse ao meu umbigo. Veja aí como são as coisas. Do que adiantou ter perdido horas de seu tempo ouvindo suas queixas de desemprego, aquele que o impedia de cotizar-se conosco na modesta taxa mensal que custeia a água, luz e limpeza de nosso pequeno prédio. Do que adiantou ter quebrado a cabeça com ele, buscando formas de parcelamento da sua dívida de 30 meses. Tudo em vão. Tivemos mesmo de burocratizar, enviar intimação extra-judicial e lavar as mãos para sua responsabilidade aparecer. Decerto deve estar pesado pagar a dívida. Talvez tenha cortado despesas de diversão, razão pela qual agora passa os dias esticando o pescoço para olhar o céu. Minha floreira deve ser uma visão intolerável, mesmo não estando no seu raio de visão.

Que puta pauta, hem ? Não resisti dizer à síndica. Então vamos fazer o seguinte- continuei- vou arrolar mais algumas para a nossa próxima reunião. E, sacando a lista de privilégios que sua família goza no condomínio, declarei que quero TODOS REVOGADOS. E também vou reivindicar diminuição da minha cota parte da despesas. Vamos cotizar gastos de água não mais por unidade de habitação mas por moradores. E também quero multa para quem colocar bandeira do time na janela. E continuei… desfiando a mais monstruosa lista de mesquinharias que sequer sabia ser capaz de conceber. Onde acaba o amor, começa a lei, como dizia a minha avó.

A síndica se foi, desolada. E eu aqui fiquei, um tanto arrependida e seguramente melancólica. Amesquinhada pela sensação de estar cercada de pautas putas por todos os lados. E dedicando pouca atenção a umas puta pautas, engolidas pela doideira geral.

Inevitável lembrar do Polônio, conselheiro do reino na peça Hamlet, de Shakespeare. “É loucura mas tem método”.

E mudando de assunto mas não muito, estão sabendo que a Presidência acaba de enviar proposta de pacote anticorrupção ao Congresso ? Achei este texto aqui bem esclarecedor. Vamos ver se emplaca com os “indignados com a corrupção”. Vamos ver se querem solução ou apenas criar mais problemas.

http://blog.planalto.gov.br/infografico-confira-as-medidas-do-pacote-anticorrupcao-lancado-pela-presidenta-dilma/~

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Comoção: bibelôs-sereia e suas roupas e decotes nas redes sociais


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No começo do ano, o episódio envolvendo os comentários de Cora Ronai e Miriam Leitão à indumentária da presidente Dilma durante sua posse ganharam ampla repercussão nas redes sociais. Gente apontando o dedo para as duas primeiras que, segundo alguns, estariam bem longe dos modelos de beleza e elegância que estariam a exigir da reeleita; outros a ratificarem as críticas, numa lamuriosa revisita a nosso complexo de vira-latas; outros ainda (e fecho com estes últimos) a analisarem a evidência não só de uma estratificação cultural de gostos, mas também da voz opressora do patriarcado que espera de uma mulher atributos para além da inteligência ou da competência.

Não é a roupa que ela usa ou a forma como se movimenta fisicamente que deveriam ser a tônica dos debates, mas sim as máscaras dos partidos, a movimentação das alianças e o fatiamento dos ministérios. O próprio discurso de posse chamou atenção para duas questões: a afirmação do combate à corrupção “doa a quem doer” e a atualização do lema de governo para “Brasil, pátria educadora”. Isso por si só renderia discussões bastante interessantes sobre os mecanismos de controle social da corrupção, as políticas públicas de educação e as implicações do discurso conservador aliado ao uso do substantivo “pátria”.

Em  06/04/14,  a Folha de São Paulo publicou matéria sobre as “galerinas,  garotas que ajudam a vender obras de arte nas galerias. Caracterizadas preconceituosamente como “lindas, bem nascidas e bem vestidas”, o jornal ainda as compara a “bibelôs bem lustrados para atrair o olhar dos colecionadores” (de arte ou de mulheres?), “item obrigatório  no acervo de qualquer galeria de arte”.

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Juliana Brito, uma das galerinas entrevistadas a reproduzir o discurso do patriarcado

Em 16/08/14, nosso colunista Moacir de Sousa tecia, em sua página pessoal no facebook, considerações críticas à campanha eleitoral de Romário (PSB), tratando, entre outros detalhes da produção, da existência de “romaretes — responsáveis por distribuir seus panfletos e despertar a simpatia dos torcedores-eleitores. Abrindo caminho para Romário, vão três ‘romaretes’. Ao todo são oito meninas, sempre devidamente maquiadas e com lindo sorriso no rosto”. Segundo um dos eleitores potenciais, “É simpático. Mulher bonita sempre combina com futebol”.

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As “romaretes”, nascidas em berços diferentes das galerinas e uniformizadas, mas igualmente exploradas como chamariz

No domingo 15/02/2015, o jornal O Globo publicou em sua primeira página matéria intitulada “‘Calouras’ causam comoção entre veteranos na Câmara” . Nela, as deputadas Shéridan Estérfani (PSDB-RR), Brunny Gomes (PTC-MG) e Clarissa Garotinho (PR-RJ), jovens, brancas, magras, de cabelos longos, são retratadas como peças decorativas, valendo mais pelo que trajam do que pelo que pensam ou pelas trajetórias que as conduziram ao meio político.

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Poses quase idênticas para um olhar cobiçador que as lança na mesma objetificação

No dia 15/03/15, a seção de Política do Último Segundo do IG, destaca em galeria de fotos “as gatas das redes sociais nos protestos do dia 15”.

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Uma das musas do “maior protesto democrático brasileiro”, ainda que se proteste pelo direito de não mais protestar. Contraponto aparente às manifestações de junho de 2014, em que só divulgavam imagens de black-blocs e algumas manifestações de protesto mais reativas. Por que será?

O que podemos observar nesses episódios? A objetificação da mulher, com o uso de um discurso de enaltecimento da beleza, por trás do qual reside uma definição de papéis sociais e de gênero marcadamente definidos pelo patriarcado: a mulher como acessório das ações masculinas. E, mesmo quando ocupadoras de cargo eletivo, a manchete da matéria em que aparecem destaca, mais uma vez, a reação masculina às suas presenças. Encontramos, ainda, o reforço de padrões estéticos normatizadores, com a construção da imagem-sereia, mulheres que com seus encantos atrairiam ricos compradores às galerias e pobres eleitores-torcedores às urnas. Para compreender melhor essa questão falocêntrica e androcêntrica, estou lendo o clássico O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, indicação das colunistas Sabrina Guerghe  e Andreia B. de Oliveira, parceiras de blog feminista, semeado ainda nas discussões fomentadas pelo Transversos . Leitura imprescindível para aprofundar a reflexão sobre o assunto.

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“Que país é esse?”: eu não consigo mais nem fingir que eu respeito isso


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Essa semana, foram realizados por todo o país atos em defesa e contra o governo Dilma. Entre os membros do segundo grupo, havia defensores da volta da ditadura militar para garantir a democracia (um tremendo déjà vu histórico) e apoiadores do PSDB eleitores do Aécio Neves.  Entre os primeiros, havia grupos que propõem a reforma política como a salvação do Brasil e grupos de negadores da gravidade dos sistemas de corrupção descobertos durante o governo do PT. Entre todos os grupos, e entre as diversas e muitas vezes estapafúrdias bandeiras levantadas, não houve ninguém para lembrar da perseguição política que diversos ativistas estão sofrendo nos dias de hoje, especialmente no Rio de Janeiro, onde há militantes presos sem provas, militantes foragidos e diversos sendo processados. Com tudo isso, em meio a brados clamando pela volta dos militares, vemos que há pessoas insatisfeitas com a democracia de meia tigela que temos, e querem logo uma ditadura de verdade. Faz sentido.

Os defensores do PT aparentemente vão se dar por satisfeitos com uma reforma política que a Dilma já entregou para o PMDB. Não é preciso ser vidente para saber que o Congresso Nacional, ainda mais conduzido pelo PMBD, sem participação popular, não vai realizar nenhuma reforma que retire os seus não poucos privilégios, inclusive o foro privilegiado, que é o que impede que políticos de maneira geral sejam julgados pela justiça como o comum dos mortais. É o que levou um criminoso como Hildebrando Pascoal a demorar anos para ser julgado, por crimes como tráfico de drogas e assassinato (ele tinha o hábito de mandar serrar com serras elétricas os rivais – deve ter gostado do filme Scarface). Enquanto esse foro se mantiver, por razões políticas nunca ninguém será culpado de nada, pois prevalecerá o corporativismo, e nenhum partido se apressará em condenar ninguém, mesmo de outro partido, pois sabe que no futuro pode ser o seu deputado na lista de algum Petrolão da vida. Ou seja, essa reforma não atingirá nem os níveis mais elementares de um reformismo básico, voltado a melhorar o quadro institucional do país.

Já os apoiadores do PSDB / Aécio Neves continuam dando vazão à histeria anti-PT, nos moldes udenistas / lacerdistas, acreditando, ou fingindo acreditar, que todos os problemas do Brasil começaram com os governos do PT. Para manter essa fantasia, eles ignoram, apenas para ficar em exemplos recentes, escândalos como o helicóptero de cocaína do Aécio, cuja investigação foi simplesmente arquivada. Não consigo imaginar que nos “países civilizados” (para incorporar o discurso complexo de vira-lata dessa mesma burguesia) meia tonelada de cocaína poderia ser ignorada e varrida para debaixo do tapete, como se não tivesse existido, ainda mais ligada a um candidato à presidência da república. Assim  como este, eles também precisam fingir que o escândalo da construção de aeroportos em terras da família de Neves, ou em áreas controladas por ela, com dinheiro público (e não ligar os pontos: helicóptero de cocaína, aeroportos e tráfico internacional de entorpecentes), não existiu. Precisam também ignorar o arquivamento do processo do mesmo candidato no próprio escândalo atual do Petrolão. Precisam, além disso, ignorar o swissleaks, o escândalo das contas de brasileiros no HSBC da Suíça, que lavava dinheiro de diversas atividades sujas, como a própria corrupção, cheias de gente graúda como Armínio Fraga (outro irmão-camarada do Aécio, como o Perrella, o da cocaína).  Este último escândalo trouxe à tona contas secretas com dinheiro de sonegação de impostos de vários bandidos donos dos meios de comunicação no Brasil, como a família Frias, do Grupo Folha (entraram numa frias, desculpem, não resisti). Todos esses barões das comunicações, que estão aí no mínimo desde a ditadura militar, como os Marinho, os Civitas e etc., além do corporativismo, são ligados por diversos negócios em sociedade. Não espere ver muito disso no JN. O tratamento tendencial dado pela mídia aos escândalos do PT e aos do PSDB é evidente demais, e eu não consigo nem fingir mais que respeito gente que ignora isso. Impeachment de Dilma, sem mexer em foro privilegiado, é golpe para tirar um partido e colocar outro, conduzido pelos grupos políticos e de mídia que com ou sem razão se sentem preteridos pelo PT.

Enquanto isso, na sala de justiça, o juiz deus onipotente Flávio Itabaiana continua mandando gente para prisão sem provas, em uma palhaçada que tem muito mais a ver com vingança do poder público contra um grupo que ousou, entre outras coisas, tentar abrir a caixa-preta do sistema do transporte público do Rio de Janeiro, de onde sairá sujeira no mínimo até o governo Chagas Freitas, e de onde quase partido nenhum vai sair limpo. O poder público, sempre com a linha auxiliar fornecida pela grande mídia, criminaliza a greve dos garis, transformando trabalhadores que querem aumento e condições de trabalho dignas e salubres em vilões. E a campanha de difamação e transformação da Sininho em inimiga pública número um segue a pelo vapor. Claro. O problema da pátria é uma ativista, e não o Renan Calheiros. Que bom que a imprensa brasileira conhece as suas prioridades!

Obs.: gostaria de lembrar aos chamadores de ditaduras que estas, uma vez no poder, costumam gostar da cadeira, e rapidamente perdem o seu caráter “provisório” e ficam 10, 20, 30 anos por lá, fácil. Assim, não é incomum que as senhoras que marcham com deus pela democracia terminem, em um futuro não muito distante, encontrando as próprias filhas estupradas em algum cárcere de alguma polícia política. O exemplo é dramático e apelativo, mas como é bem real e aconteceu diversas vezes, por aqui pelo Brasil mesmo, não custa lembrar, ou, como se diz nos dias de hoje, “fica a dica”.

Obs. 2: ao que tudo indica, na contramão do que estou argumentando neste texto, Caio e Fábio não serão mais indiciados por homicídio qualificado, não irão mais a Grande Juri, e vão poder aguardar julgamento em liberdade. Se for verdade, é enfim uma boa notícia, mas só acredito vendo. Na torcida.

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Fora Dilma! (mas, fica Levy!)


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Diga-me com quem andas, só então direi se vou contigo. Hoje é o dia em que as ruas prometem lançar sobre a nação toda a indignação da sociedade. Poderia ser algo como o mencionado por Vandré: “pelas ruas marchando indecisos cordões”. É isso tudo. E nada disso ao mesmo tempo. O paradoxo saiu às ruas para passear e fazer-se contradição em plena luz do dia.

Longe de mim condenar qualquer protesto. A praça é do povo, tal qual o céu é do condor, ainda que nem toda ave cante o canto que nos agrade o tanto. A revolta da classe média enfurecida, convocada em massa pela mídia, no domingo – dia de folga da empregada – tem o direito de ganhar as ruas para gritar contra o governo.

Vou além: reconheço que não há golpismo na esmagadora maioria dos que sairão às ruas. “Fora Dilma” é palavra de ordem tão justa quanto “Fora FHC”, gritado à exaustão no governo tucano, desde sua reeleição em primeiro turno. Ignoremos os idiotas intervencionistas, eles são só idiotas mesmo.

O que diminui o ato, de fato, é o que ele representa e a falta dos quereres nos lugares dos saberes. Isso torna a coisa quase patética. É o “fora Dilma, fica Levy”. Na sexta-feira, o protesto era de quem apoiava Dilma (nunca vi passeata a favor…), mas criticava sua política econômica. Hoje, temos quem quer tirar a Dilma e colocar outro, desde que seja para fazer as mesmas medidas de hoje adotadas.

Isso revela apenas que a questão já não é mais programática. É a simples briga de quem deve sentar-se na cadeira. Não é pelo fim da corrupção, mas pela mudança de quem recebe a propina. Afinal, o discurso impoluto da moralidade gritada nas avenidas dos protestos esconde desde aqueles que têm suas reservas escondidas na Suíça até os usuários do Windows pirata ou da carteirinha de estudante falsa, da cervejinha do guarda… A culpa, invariavelmente, é do PT.

O PT fez por onde merecer toda essa reação. Entrou no jogo do capital, participou de sua democracia prometendo não alterar seus alicerces, fez acordos e inúmeras concessões. Não tem hoje o direito de criticar o modelo “democrático” que defendeu e participou. A carta aos brasileiros, antes da eleição de Lula já sinalizava a capitulação a que se propunha o partido vermelho.

Ainda assim, muitos companheiros da esquerda contentaram-se com as migalhas populistas propostas pelo PT. Em momento algum o partido teve coragem de propor qualquer rompimento com o capital, pelo contrário: o PT tem a marca da conciliação. Sua tentativa de colocar anteparos à luta de classes suportou quase uma década, no entanto agora falha catastroficamente.

Ao se colocar favorável a uma política nacional-desenvolvimentista, distribuiu renda como forma de escapar – sempre preservando os interesses do capital – da crise que se aproximava. E isso lhe possibilitava o populismo social. Uma política de inclusão no mercado. O pobre brasileiro pôde sustentar os altos lucros da indústria nacional, pôde endividar-se no sistema financeiro. Transferência de renda para o pobre poder transferi-la ao empresário. Enfim, o aumento da renda serviu para a expansão da política desenvolvimentista, em um claro pacto sociorrentista.

Ao longo do tempo, as forças liberais, pressionadas pela crise mundial, não conseguiam expressar uma oposição consistente à política desenvolvimentista. Mas, eis que a crise mundial arrefecia e as políticas de juros mais baixos foram ficando insustentáveis para o mercado financeiro. Sem a crise, o pensamento liberal ganha seu espaço, o mercado reivindica o que pensa ser seu.

Buscando, de todas as formas, evitar qualquer acirramento da luta de classes, o PT acendeu velas para todos os santos que conhecia e até mesmo aqueles em que não acreditava. Aliou-se com quem quis a ele se aliar, independentemente de qualquer ideologia. E ainda hoje, há quem sonhe com um pacto nacional com FHC.

Inconsequente, o PT não agiu ideologicamente nos anos em que esteve no governo, apenas administrou o capital, foi lacaio cumpridor de ordens superiores e essa covardia diante de seus ideais históricos gerou-lhe os problemas de hoje. O pobre que ascendeu à classe média incorporou também o seu discurso. E muitos vão hoje estar nas ruas, provando a existência desse paradoxo torto em que vivemos.

O partido, repartido como sempre, é palco de lutas autofágicas pelo poder. A corrupção fez metástase no Partido dos Trabalhadores que lotou e subverteu inclusive os movimentos sociais, desmantelando-os. Uma legião de sindicatos cooptados e alguns deles bandeados para o lado patronal é o saldo triste de um governo de capitulação.

A economia não dá mais a sustentação para o pacto desenvolvimentista proposto pelo PT. Os anteparos da luta de classe não são mais eficazes. O aparelhamento do Estado e a corrupção endêmica não são invenções do PT, mas são suas capitulações. Levam hoje, merecidamente, as mesmas pedras que já atiraram um dia.

E que fique claro: são duas visões de administração do capital em choque. Nenhuma delas traz nada de bom ao conjunto dos trabalhadores no decorrer do tempo. Quem marcha o faz sem saber por quê, mas ajuda quem tem conta no HSBC. Cheio de furos, como um queijo suíço, o PT também faz parte disso. Sua corrupção foi tanta – corrompeu sua própria ideologia – que chegou a roubar as medidas que seriam tomadas pelo Aécio. Desespero.

Enfim, dia quinze de março. Dia da posse dos presidentes militares, de Sarney e de Collor. O capital colocou seu bloco na rua, o dia da cobrança chegou. Venderam-se sonhos, ideologias e pessoas. O PT se vendeu. E quem se vende recebe sempre mais do que realmente vale. E eles estão na rua para cobrar o troco.

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3,14159265358…


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3,1415926… FELIZ DIA DO Pi!!

 

14 de março de 2015, nerds e geeks do mundo inteiro que se ligam em ciências naturais e tecnologia estão comemorando o Dia do Pi!

Mas porque esse número é tão fascinante, especialmente, para os matemáticos?

Pi é a constante mais antiga de que temos conhecimento, e até hoje é fonte de pesquisas em diversas áreas. A história do Pi remonta há aproximadamente 4000 anos atrás. Mesmo que você não seja muito fã da matemática, deve lembrar-se dele dos tempos de escola. Ele é obtido a partir do valor da razão entre a circunferência de qualquer círculo e seu diâmetro. Muitas pessoas acham que precisamos dele pra calcular a circunferência do círculo, mas isso não é verdade. Erathostenes c. 250 AC, calculou a circunferência da Terra sem precisar de Pi. No entanto, ainda que não precisemos dele, ele estará lá. Não é o círculo que define Pi! Talvez seja o contrário, Pi é que define o círculo!

Mas porque a data de 14 de março?

A data foi criada por Larry Shaw, responsável pelo museu Exploratorium. Nos Estados Unidos as datas são escritas com o mês antes do dia, ou seja, hoje é dia 3/14, que lembra 3,14, uma aproximação de Pi com duas casas decimais. Esse ano a data é ainda mais simbólica para os amantes desse número mágico pois 3/14/15 é uma aproximação de Pi com quatro casas decimais, e isso só voltará a acontecer daqui a cem anos.

E pra que serve o Pi?

Ele aparece no universo e na nossa vida muito mais do que pensamos. E não se trata só de círculos. Por exemplo, na rota de todos os rios curvos que deságuam no mar, a sinuosidade desses rios mede aproximadamente 3,14. Um objeto redondo, independente de seu tamanho, tem sempre a mesma proporção entre o comprimento de sua circunferência e seu diâmetro, o pi, que ajuda  a calcular desde a quantidade de leite em pó em uma lata circular à quantidade de ar em uma bola. Os geólogos usam para calcular a área de um terreno que está num relevo curvo. Um pneu de carro tem, aproximadamente, 60 cm de diâmetro, e se multiplicarmos esse valor por pi chegamos ao valor aproximado de 1,88 m, que é a distância média que o carro vai andar a cada volta completa da roda. A força que a Terra exerce sobre a Lua e o seu movimento de rotação também têm relação com o Pi. Também aparece em cálculos probabilísticos. Em tecnologia, o Pi pode ser usado no desenvolvimento de hardware, mais especificamente, testando a rapidez do processamento e a capacidade de executar várias atividades ao mesmo tempo.

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Olha o Pi!!

Nem todo mundo sabe, mas há muita matemática na música. O vídeo abaixo apresenta a canção do músico Michael Blake. Ele compôs usando a sequência dos algarismos do Pi.

É comum entre os apaixonados pelo Pi a disputa por quem consegue memorizar mais casas decimais dessa constante. Abaixo um vídeo, com uma canção composta pra piano. O compositor explica no vídeo que fez a música para ajuda-lo a memorizar a sequência que aparece na tela enquanto ele toca.

14 de março também é o dia que nasceu Albert Einstein, físico-teórico alemão de origem judaica, e que usou o pi em sua fórmula que diz respeito ao espaço curvo na Teoria da Relatividade. Teoria que é um dos pilares da Física Moderna!

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Albert Einstein

“Se a minha teoria da relatividade estiver correta, a Alemanha dirá que sou alemão, e a França, que sou cidadão do mundo. Mas se eu estiver errado, a França sustentará que sou alemão, e a Alemanha garantirá que sou judeu.”

Einstein era a favor do socialismo e escreveu suas ideias num ensaio intitulado “Por que o socialismo?”. Escrito para o lançamento da revista Monthly Review, foi publicado em maio de 1949.

“A anarquia econômica da sociedade capitalista de hoje em dia é, em minha opinião, a verdadeira fonte dos males.” pensamento mais do que comprovado com o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki  pelos USA, maior potência capitalista no mundo. Na construção das bombas havia muito das teorias e estudos de Einstein, fato que ele lamentou ao longo de sua vida.

“A vida de um indivíduo só faz sentido se ajuda a tornar a vida das demais criaturas mais nobre e mais bela.”

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Karl Marx

E por falar em socialismo…  Karl Marx, também alemão e de origem judaica como Einstein, morreu em 14 de março de 1883, e foi idealizador de uma sociedade com uma distribuição de renda justa e equilibrada. Escreveu “O capital”, uma de suas obras mais importante, que analisa a sociedade capitalista desde a economia até cultura e filosofia passando por questões sobre a sociedade e a política.

“Na manufatura e no artesanato, o trabalhador utiliza a ferramenta; na fábrica, ele é um servo da máquina.”

Numa síntese do que é o comunismo, Marx disse “Reunião de homens livres trabalhando com meios de produção comuns e, dependendo, a partir de um plano combinado, suas numerosas forças individuais como uma única e mesma força de trabalho social.”.

Einstein e Marx colocam o homem diante de complexidades e infinitudes que podem ser comparadas a grandiosidade de Pi!

Feliz dia do Pi!!

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Hoje é dia de comer pizza ou torta (“pie” em inglês)! :)

*Este texto foi publicado às 9:26 em comemoração ao dia do Pi, já que a constante representada com 7 casas decimais é 3,1415926…

* No dia 14 de março, todos os apaixonados por Pi costumam comemorar com pizzas e tortas (“pie” em inglês). A escolha também tem a ver com o formato circular.

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:)

 

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