Num dia qualquer de repente

ImagemEra um dia como outro qualquer, tirando o fato de que eu estava enrolada o suficiente para não ir ao trabalho. Precisava resolver algumas coisas.

Acordei mais tarde do que esperava, corri ao laboratório. Se eles querem meu sangue, verão o meu sangue… Verão. Calor dos trópicos. O ar não dá conta. Ninguém chama a senha. Socorro! Que demora! Já foi. Acabou? Já. Não dobra esse braço.

Uma loja de calçados em liquidação me chamou a atenção. A vendedora tinha o nome da minha irmã. Deve deixar metade do salário no trabalho. Por conta de também ter bolsas, eu deixaria lá uns dois terços.

Saí com minha bolsa já pesada como sempre, mais duas sacolas da loja. Entrei no metrô Saens Peña abarrotada com a certeza de que era a melhor coisa a fazer para quem queria dirigir-se ao Fundão.

Estaca certa, creio. Estação Del Castilho (apropriada pelo Nova América). Integração metrô – ônibus. Maravilha. Não que seja bom. É que nos meus tempos de graduação era ainda pior.

Fiz a inscrição que me levou até lá, conferi alguns detalhes sobre a defesa da próxima semana. Claro que em setores completamente diferentes e bem distantes um do outro. Fui  até o banco de teses. Encontrei o material de que precisava.

Ainda não escrevi o texto da apresentação da tese. Ele está na minha cabeça, mas eu estava em busca da epígrafe perfeita. Coisa de quem tem TOC. Achei!

De quebra, fui até o bloco H admirar a paisagem que sempre me encanta e tirar uma foto para dividir com o mundo, postando no face.

Retornei ao shopping. Gosto de comércio de rua, mas confesso: o ar condicionado estava sedutor. Almocei e rumei… para casa? Não. Para o Méier. Queria encontrar a lojinha de balé aberta para me paramentar devidamente para as aulas de lira.

Tarefa cumprida. 19h. Minha aula só começa às 21h. Calor dos trópicos. Resolvi gelar a garganta louramente enquanto tomava nota de coisas importantes a fazer. Primeira surpresa da noite: ia rolar um sambinha do bom. Segunda surpresa: interpretaram Gonzaguinha com sangue na voz. Um casal insuspeito saiu a bailar e eu sorri com os olhos e com a alma. Lindos.

Tive sentimentos especiais hoje, mas ver aquele casal cadenciado, cúmplice, ritmado valeu pelo dia, vale por uma existência inteira.

 

 

 

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Categorias: Reflexões | Tags: , | 2 Comentários

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2 opiniões sobre “Num dia qualquer de repente

  1. Se não houver leveza fica mais difícil. Vou procurar o capítulo do Ítalo Calvino, sobre leveza…

  2. Aline Silva

    Eu tenho. É o primeiro capítulo de Seis Propostas para o Próximo Milênio. Acabei de ler um trecho que me fez lembrar de coisas escritas e faladas pelo Anderson: “Cada ramo da ciência, em nossa época, parece querer nos demonstrar que o mundo repousa sobre entidades sutilíssimas”.

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